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40 anos de Associação Atlética Parque das Bandeiras: Um espaço em disputa

Na foto presidente atual Fernando Muchachu e o jogador histórico do bairro: Peteleco
Associação Esportiva Atlética Parque das Bandeiras localizada na área continental de São Vicente cujo histórico remonta 40 anos de pessoas apaixonadas por futebol que na década de 1970 utilizaram um espaço da FEPASA para construir um campo de futebol, hoje, aguarda a liberação de continuidade de concessão de espaço público que será deliberado ou não pelo legislativo vicentino.

40 anos...

Durante esses 40 anos o que era apenas um grupo de amigos montando um time de várzea, terminou por tornar-se um espaço esportivo, cultural e social de importância ímpar para o bairro Parque das Bandeiras e para a cidade de São Vicente. Atualmente, constituído como Associação Esportiva devido as exigências legalistas do Estado seguem tocando o projeto de escolinha de futebol intitulado "Pedala Muleke"; e vale dizer que, conquistaram três editais para desenvolvimento de trabalhos esportivos do Governo do Estado de São Paulo, no entanto, devido a crise econômica não conseguiram aporte de nenhuma empresa, porém, de forma autônoma e apenas com recursos próprios - "rateios" - tocam a escolinha de futebol para cerca 150 crianças, sem nenhum custo cobrado das famílias.

Foto de arquivo pessoal da associação
As complicações burocráticas e as críticas sobre "supostas" irregularidades

"1 – Primeira discussão e votação adiada do PROJETO DE LEI N.º 26/17, do Sr. Vereador Dercinho Negão do Caminhão. Autoriza o Poder Executivo a permitir o uso, a título precário, de área localizada na Rua Senador Nilo de Souza Coelho, n.º 31, pela Associação Atlética Esportiva e Cultural do Parque das Bandeiras, pelo prazo que especifica". 

O texto acima foi retirado de um documento público disposto pela Câmara Municipal de São Vicente, trata-se especificamente de continuidade de concessão de utilização do espaço público pela associação. No último dia 03 de maio, o projeto de lei teve sua votação adiada devido críticas que surgiram em relação a associação, inclusive que, assertavam certa irregularidade existente na documentação da entidade.

Este que vos escreve também recebeu a informação no dia da votação por uma fonte que o projeto seria votado com insuficiência de análise, logo, questionei pela rede facebook que os vereadores ficassem atentos a tudo que aprovam sem conhecimento aprofundado. Com isso, no mesmo dia durante a Sessão Legislativa fui procurado pela diretoria da associação que disse haver um equivoco nas críticas e que, na realidade, as críticas estava pautadas em uma disputa política pelo espaço, por conseguinte, não sustentavam-se.

Decidi então conhecer o espaço e o projeto que até então, não conhecia, para deste modo produzir uma matéria ouvindo a parte que estava sendo criticada e entender de que tratava-se essa tal "disputa política", certamente que, cobrei a fonte quais seriam as críticas fundamentadas que estavam sendo postas contra a associação. Não obtive nada de sustentável, além de críticas de que os documentos da associação foram tirados de forma "estranha e rápida", de que o presidente tinha envolvimento político partidário, algumas fotos do local com a Codesavi realizando limpeza, e quatro ou cinco pequenos vídeos de celular de uma discussão qual não configurava-se nada de substancial que pudesse ser utilizado como prova de que a associação possuía vínculos espúrios. De acordo com a fonte, existe um vídeo de uma reunião que pode mostrar todas as irregularidades, porém, disse que não usaria ele no momento, pois, não queria exposição.

Enfim, terminei por produzir a matéria em vídeo focando exatamente no trabalho que é realizado, qual considerei fundamental e de uma importância ímpar.

Em relação os questionamentos:

Documentação, envolvimento político e afins, responderam que, sabem quem é minha fonte e que estavam trabalhando em parceria com ela, que é do bairro e acabou de eleger um vereador, mas que essa fonte junto com seu grupo começou a questionar a transparência depois de eles terem rompido a parceria, e isso ocorreu porque alguns documentos esse grupo disse que agilizaria, porém, a concessão ficaria no nome deles, o que gerou conflito. Assim, o atual presidente da associação, Fernando Muchachu, que também já concorreu para vereança na cidade, mas que não entende isso como problema, disse que não esconde, foi buscar a documentação que faltava. Segundo ele, conseguiu com a ajuda de um deputado que o orientou por onde seguir, apenas isso.

Sobre o CRCE (Certificado de Regularidade Cadastral de Entidades) que exige dois anos de trabalho, a comprovação fica por conta do histórico, eles possuem muito mais que dois, lógico que, apontaram que existem momentos de descontinuidade, pois a associação realiza o trabalho contando com a ajuda de voluntários, portanto, manter não é tarefa simples, no entanto, resistem, por exemplo, um dos pontos em que foram questionados é sobre a manutenção de uma bar no local, de acordo com eles, o bar não tem fins lucrativos, a renda contribui para custear despesas de água, luz, reparo, limpeza, o diretor Wilson Chesco é quem administra, e uma ajuda de custo lhe é repassado, pois ele fica em tempo integral, limpa os banheiros vestiários, entre outras coisas como, por exemplo, recolher "bostas" no campo feito por bois de um terreno do lado que às vezes o dono solta para pastagem a noite.

Visita de políticos disseram que sempre recebem em época de eleição, normal, todos prometem e depois somem, neste ano de 2017, quem foi conhecer o espaço foi o vereador Felipe Roma (PSDB).

Considerações

É problemático as imposições (burocracias) que o Estado cria para as organizações populares que terminam quase sempre engessando trabalhos e os atirando nas mãos de políticos e também de um terceiro setor que se diz preocupado socialmente, mas que boa parte se beneficia das mazelas sociais para pendurar-se em recursos públicos, particularmente não sou um legalista que acredita que uma folha de papel irá ser certificado de idoneidade, na verdade, penso que esses trâmites institucionais, mais atrapalham do que ajudam. No caso da associação, obviamente que, a lei tem que fiscalizar para que não haja irregularidades, mas ela também não pode tornar-se um impeditivo, ao contrário, ela deve contribuir para o desenvolvimento, infelizmente, não é o que vemos, e logo, termina por surgir o paternalismo, o clientelismo... Deixando a população nas mãos de supostas políticas públicas implantadas por políticos que usam desse minimo para se colocar como benfeitores, e isso é uma das maiores violações de direitos. Devemos lutar por direitos garantidos, inclusive na Constituição, não mendigar pelo minimo. Enfim, o que percebi em toda essa situação, é que de certo existe em parte uma disputa política, entre a associação que está no local há quarenta anos, o que é legitimo, e do grupo que questiona sem sustentar prova alguma, e isso é triste, porque estão no mesmo bairro, deveriam estar juntos. E se existe alguma irregularidade ou falta de caráter de alguém, isso é individual, o coletivo deve sobrepor-se.

Da liberação de concessão para utilização do espaço

Cabe aos vereadores não fazerem política pequena de gabinete que defende seus próprios interesses, ou do grupo que os apoiam. Particularmente penso que o trabalho deve ser mantido e respeitado. No mais, estar sempre acompanhando tudo, e se vier à tona alguma informação de que alguém usou o nome da associação para se beneficiar, não tornar um caso individual sobrepor-se ao coletivo, e tenho certeza que as próprias pessoas envolvidas de modo algum aceitarão que alguém use o nome da associação para tal fim.

Divulgação: 

Site de trabalhos fotográficos neste link. Contatos para parcerias e trabalhos vídeo/fotojornalismo. Fortaleça a mídia independente com foco em direitos sociais. Apoie as reportagem, dê sugestão, mande whatsapp: 13 988 656229

Logo abaixo vídeo reportagem completa, assistam!


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