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Famílias despejadas em São Vicente encontram-se nas ruas e sem apoio social da prefeitura

Foto: Ailton Martins
Três dias depois da ação de reintegração de posse o cenário onde ficava a antiga vila onde morava cerca de vinte famílias no parque Bitarú em São Vicente é desolador, destroços de móveis destruídos pelos martelos e pela chuva espalham-se por toda parte, caminhando entre os escombros onde ficavam em torno de trinta casas é possível encontrar também roupas e brinquedos de crianças. A impressão que se tem ao olhar todo o panorama caótico é que uma tempestade ou enchente devastou o local, mas não,  foi uma ação de despejo onde a prefeitura havia comprometido-se a dar assistência para as famílias e retirar os pertences com calma e levar para um espaço no Horto Municipal. Não cumpriu.

Foto: Ailton Martins
Antes desse acordo, havia outro de prorrogar a remoção até as devidas condições - diante de uma cidade em crise - serem planejadas com cuidado, os dois acordos foram ignorados pela estupidez e arrogância da prefeitura que decidiu resolver de imediato atendendo a uma ordem judicial que também ignorou questões sociais e sob o manto da defesa ambiental determinou a saída das pessoas sem a menor sensibilidade das condições que encontravam-se as pessoas. Infelizmente, essa não é uma realidade isolada, ela se repete em diversas regiões do pais, e a cada dia fica mais nítido que o poder público não está à serviço da população.

Foto: Ailton Martins
Logo, aproveitando-se de tal situação a prefeitura lavou as mãos em relação as pessoas, inclusive, faltando com a verdade em alguns momentos, por exemplo, a secretaria de assistência social, Lurdinha Oliveira, também vice-prefeita, garantiu que as pessoas que não tivessem para onde ir, a prefeitura encontraria uma forma de não deixá-las desabrigadas, pelo menos por alguns dias, além do mais garantiria assistência, (vídeo aqui) na prática o que ocorreu foi totalmente o contrário, as pessoas - a maioria - ficaram nas ruas, algumas dormiram sobre os escombros, outras debaixo da Ponte do Rio da Vó e do Viaduto Mario Covas, que fica próximo ao local.

Foto: Ailton Martins
Nesta sexta-feira da Paixão (14/04) basicamente todas elas encontravam-se no terreno tentando recuperar algum pertence, porque durante a ação desastrosa de três dias realizada pela prefeitura, no último dia as pessoas não foram permitidas de adentrar o terreno, porém, ainda havia pertences no local, qual a prefeitura simplesmente ignorou.


Foto: Ailton Martins
Uma assistente social que acompanhava a ação com certeza pela sua expressão saiu do local entristecida, porque ficou nítido que colocaram a profissional junto da ação para manter o protocolo, porque poder de nada ela tinha, somente assistia a tragédia acontecendo. Penso, inclusive, que a vice-prefeita, oriunda da área continental e de origem popular das lutas sociais deve ter percebido na arapuca do grupo político que decidiu apoiar, qual neste momento revelou-se perverso e cujas prioridades estão aquém das pessoas mais desguarnecidas. Traduzindo: a ideia de "São Vicente te quero bem", não inclui todas as pessoas, há seletividade e falácia política nesta mera propaganda.

Foto: Ailton Martins
Considerações

Vivemos tempos em que nossos governantes conseguem superar-se em suas incapacidades de resoluções de problemas sociais, pior, conseguem piorar sempre mais a vida da população.

O direito à moradia é um direito constitucional constituído no artigo 6°, todavia, a falta de vontade política (além de corrupção) é o que gera essa colapso social, a cidade de São Vicente, por exemplo, tem um déficit habitacional de cerca de 40 mil, obviamente que não irá resolver da noite para o dia, porém, isso não retira o fato de que a forma como a prefeitura tratou as pessoas, foi de modo violento, isto é, violou vários direitos das pessoas que ali moravam a partir do momento que derrubou suas casas, destruiu seus pertences e não garantiu o minimo de assistência, simplesmente atirando-as nas ruas com a maior das naturalidades do mundo. Inconcebível.

 (Entenda o caso aqui e aqui)


 






Divulgação:

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Comentários

Anônimo disse…
As pessoas precisam mais se aproveitam de certas situações...moravam onde antes..sabiam que ai não poderia ser invadido..isso é orientado pelos contra..o prefeito não tem culpa disso no outro governo há estava sendo invadido..colocam as crianças para ver se conseguem casas própria..são aproveitadores de condições.concordo com a retirada voltem pra onde saíram antes de ir pra esse lugar...tem gente que gosta de passar por coitadinho e po e culpa nos governos
Ailton Martins disse…
Governo é composto por políticos que ganham salários exorbitantes, que fazem da política profissão e estão aí desde sempre transformando direitos sociais em moeda de de barganha para voto, mas estão sempre isentos de responsabilidades sociais, é isso né? A população pobre que é culpada por tudo. Compreendi sua posição "Anonymous". Bom dia.
Anônimo disse…
Realmente o governo é errado, já que educa a população a viver de assistencialismo vitalício. O marido é preso pagasse auxílio reclusão, bolsa família, vale gás, vale leite, cesta básica, minha casa minha vida, etc... quando na verdade deveria dar a assistência e ao mesmo tempo ter algo em troca, pois a maioria sequer tem coragem de pegar numa vassoura, mas o que me entristece é ver estes malditos movimentos pseudo sociais, onde o povo massa de manobra fica de linha de frente, enquanto meia dúzia de playboy se faz de esquerdopata e na verdade são de direita. Ninguém quer o lixo do vizinho no seu quintal, ninguém leva pra casa, mais fácil enfiar a culpa no governo e o povo pagar mais esta discrepância social.
Ailton Martins disse…
Anonymous qual o caminho pra resolvermos esses problemas e construirmos uma sociedade minimamente mais justa, onde a Constituição seja cumprida?

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