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Mostrando postagens de Junho, 2014

Contra todos os cárceres

Essa revolta que sinto
Essa aflição e angústia que carrego
Apesar de muitas vezes me machucar
São os sintomas de que não perdi minha identidade

A liberdade 
Não a vejo como palavra vazia 
Ou simplesmente como bandeira alfandegária
É sim, o norte que anseio e que vive entranhado em minha alma

Se essa utopia não é revolução
O que é revolução?

Contra todos os cárceres
Eu me oponho
Contra todas as formas de contenção
Eu me oponho

Nem um dia mais de opressão
Eu digo; nem um dia mais de submissão!
De verdades impositivas
Amores venenosos

Vivo assim, cada dia
Um dia de cada vez
Sozinho se preciso for

Mas quero acordar todos os dias
Todos os dias!

Sem cobranças, sem remorsos
Sem projeções de outras coisas em mim
Sem pedágios pra ser feliz e pra amar

E se quiser me querer
Comungue liberdade comigo
Só isto tenho a oferecer
Só dessa forma posso viver

Em silêncio...

Aqui estamos

Qual o papel social que tenho que cumprir hoje?

Operário?
Intelectual?
Estudante?
Analfabeto?

Com quantas mentiras terei que me engasgar hoje?

A felicidade existe
O trabalho enobrece
O amor é o maior alvo
Quem acredita sempre alcança

Quantos abusos terei que suportar calado hoje?

No ônibus
No trabalho
Na rua, na escola
Na própria casa

Quantas obrigações terei que cumprir hoje?

Acordar cedo
Bater cartão
Declarar imposto
Fingir ser útil numa rotina inútil

Difícil saber
Antes de enlouquecer
Se chapar de éter
E se libertar...

Essa doença social que corrói
É um câncer sem fim
Não tem cura
Não tem equilíbrio

Destrói tudo
Nossa alma
Nossa mente
Nossa essência

...  Foda-se

Parabéns a sociedade do capital
Parabéns ao desdobrar da história
Aqui estamos

Nem precisamos de chá de cicuta
Qualquer função social hoje entorpece
Escolha uma e finja ser feliz

Se conseguir pagar as contas no final do mês
Considere-se um sobrevivente
Essa é a parte que nos cabe
Antes dos vermes e dos sete palmos

Não sou daqui (Santos)

Essa Santos
Abundantemente "fria"
Firmada, solidificada, soberba
De concreto armado que arranha o infinito

Nos mata dia a dia
Altiva, excludente, impiedosa
Serva de si mesmo
Reproduz morte

Mas, quem sou para julgar?
De passagem, a trabalho, atrasado
Negociado, adaptado, domesticado
No tempo, na vida, nas esperanças

Sigo
Para meu canto
...

O meu pranto
Dormitório
A margem

Reduzido
Assim, ao esquecimento
Ao tédio dos dias

Vejo essa Santos
Aos apitos dos navios do cais
As buzinas ensurdecedoras do trânsito
As depressões das pessoas que vão ao mercado municipal

Eu vejo essa Santos

Inalando seu monóxido de carbono 
Absorvendo seu veneno jornalístico
Percorrendo suas artérias saturnianas
Cortando seu ventre por meio das catraias do centro

...

Desculpe,

Não morrerei sobre teus jardins
Não sou daqui

Apesar, de te entregar a maior parte de meu tempo