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Mostrando postagens de Maio, 2013

Retrato

Tenho um retrato de ti pintado em mim
Um retrato cheio de cor e contrastes
Um retrato de muita força (Não meço o quanto)

Apenas sei,  
que me fortalece quando preciso Quando os dias são iguais 
e quando só o que resta são vendavais 

Eu busco seu retrato 
Eu sempre busco o seu retrato Para refletir o que não posso ver, 
o que não posso querer

Olhos mortos

Olhos mortos, mortos,
tristes,
cansados,
inertes
e cegos com as cinzas dos anos

Olhos mortos, mortos
de ideias,
sonhos,
caminhos,
embriaguez e sepulcros

Olhos mortos, mortos
de ver,
amargar
e morrer mareados pelo cárcere

O sabor de minha nudez

Esse cheiro de morte asfixia 
Asfixiado 
Morro neste silêncio ensurdecedor

Se eu pudesse ao menos contar-te tudo que sinto
Morreria ou me condenaria
Assim, nada temeria 

Não haveria noite, nem dia
Nada para explicar, nada para revelar
Me libertaria no sabor de minha nudez

Os dias

Você me desmascarou, desmascarado fiquei nu
Tão nu e desmascarado de modo que você
atravessou-me afiadamente, me deixando indefeso

Eu me vi, doeu me ver, doeu perder, doeu 
Me perdi, perdido implorei:
Não me deixe ao relento

Pois há tanto medo em mim
Medo, medo, puro medo
De mim e do que não posso aprisionar 

E os dias passam e os desesperos não, os dias passam
Que mal vi o tempo passar, e passou, passou, 
até que as horas ficaram mortas, mortas, mortas
E tudo fedia, fedia em mim, fedia de podre

Coisas apodrecidas, velhas, esquecidas, apodrecidas
Que mal sei por que apodreceram
Mas apodreceram

Agora, estou podre tentando me remendar
E você mal entendeu o odor de tudo isso
Afinal, tudo ficou barato, tão barato
Que saiu no mijo desses dias cinzas e confusos

Cemitérios

Dizer que gosto de chorar,
                              nem um pouco
Dizer que gosto de estar triste,
                              jamais!
Porém, às vezes é preciso tudo isso,
                              para não enlouquecer
De modo que é preciso mudar o rumo,
                              trocar a roupa,
bagunçar um pouco as ideias, acertar o ângulo
                              e colocar o lixo para fora
Devagar e consequentemente sem pesar... Pois,
                              os cemitérios não me convencem mais

Exílio

Não me lembro de quando aprendia matar 
Esfaquear, saquear e cuspir no que não presta
Na verdade, eu pouco me lembro de onde veio o ódio
Mas tive que aprender a esmurrar, gritar e tomar quando a esperança falta
E tudo me falta e quer me condenar
De modo que vejo desespero o tempo todo

Sociedade de merda
Me deixa com sede e com muita desconfiança
Por isso, quando os demônios espreitam com suas verdades e moralidades
Limpo o rabo com suas teorias

Aprendi não me importar com loucuras de papel
Quero apenas me manter vivo nesta cidade vazia e suja
Desavergonhadamente sendo sua sujeira, amoral e delinquente 
Porque o que me incomoda apenas,
é esse cheiro de bosta que sinto
Exala

Imundice
Dos porcos, dos canalhas, 
traidores e covardes
Que cagam na cabeça da povo

E eu, 
sou povo da cidade dos viciados
Porém, qualquer dia, qualquer hora
Todos se juntam e vai ser muita merda
Por enquanto,
vou urinar sobre suas vias e esquecer...
Bem devagar
Matando...

E matar dá gosto
Igual lâmina afiada para o corte

Matando
Cada ser e cois…