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Mostrando postagens de 2013

Esquecer de mim

Me deixa ir ali morrer um pouquinho
Que esse cheiro de vida está me confundido
Me deixa ir ali esquecer de mim
Pra ver se lembro de algo que vale a pena

Preciso do silêncio pra me ouvir
Há muito barulho nas palavras, nas coisas
Preciso do vazio pra me sentir
Há muita ilusão no meio de tantos conteúdos

Eu não sei
Aprendi só coisas simples
E ousei por cada uma delas
Por isso, tudo bem a dor ficar um pouco mais

Na verdade, só quero esquecer de mim

Eu significado

Tudo tem que obedecer a uma forma de produção A vida A poesia A merda que sai do meu cu e vai pro esgoto
Tudo! Eu, você... Os que virão depois de nós Tudo tem que se submeter e ser vigiado, reparado, acertado,  configurado, rastreado, avaliado... Tudo!
Um ponto,  Uma vírgula Uma regra Uma ideia
Tudo passa pela construção de um significado Que pouco serve pra alguma coisa... Pra porra nenhuma direi Além, da domesticação da vida
Estou francamente cansado de correntes Mordaças, ideologias de faz de conta: blábláblá Só vejo enquadros e ângulos distorcidos Renovando o passado no presente
Enquanto tudo que interessa é ignorado, esquecido, abandonado e desmoralizado Só há uma certeza: tudo acaba em nada
Porque estamos presos a uma função social Um papel que fomos obrigados a construir Jogando a vida fora em horários e rotinas inúteis 
Esquecendo de quem somos - hora a hora - tic tac

Precisamos de espaço
de espaço, de espaço...
Não há! E assim vão dias

As ideias
A essência
Os dentes, os cabelos, 
e a vontade de gritar quand…

E derrepente

E derrepente não havia mais nada em ti que eu quisesse amar
E derrepente toda aquela euforia se calou em meu peito, 
ao te ver  vil, cruel e impiedosa
Igual a tudo que não quero, igual a tudo que desprezo

E derrepente já não sabia como te olhar 
e profundamente não te odiar, 
por rasgar tanto amor dedicado,
por hostilizar tantos suores e dores de anos conquistados
E assim, tudo ficou escuro e virou crime de liberdade

Resistência ignorada, por quê?
Eu tento entender tua inocência 
Relegada a caminhar um compasso de passos tortos

Ufanismo idiota, você se tornou  um monstro, 
uma devoradora de inocentes e de si mesma
Capitaneada pelos porcos você virou a lavagem

E vai morrer decomposta por sua própria inércia

A quadrilha da tarifa

João convidou Teresa que convidou Raimundo
que convidou Maria que convidou Joaquim que convidou Lili
que convidou alguém.

João foi para as ruas, Teresa também,
Raimundo enfrentou a PM, Maria foi presa,
Joaquim a libertou e Lili disse; amanhã vai ser maior!
E no final eram doze mil fazendo história

Retrato

Tenho um retrato de ti pintado em mim
Um retrato cheio de cor e contrastes
Um retrato de muita força (Não meço o quanto)

Apenas sei,  
que me fortalece quando preciso Quando os dias são iguais 
e quando só o que resta são vendavais 

Eu busco seu retrato 
Eu sempre busco o seu retrato Para refletir o que não posso ver, 
o que não posso querer

Olhos mortos

Olhos mortos, mortos,
tristes,
cansados,
inertes
e cegos com as cinzas dos anos

Olhos mortos, mortos
de ideias,
sonhos,
caminhos,
embriaguez e sepulcros

Olhos mortos, mortos
de ver,
amargar
e morrer mareados pelo cárcere

O sabor de minha nudez

Esse cheiro de morte asfixia 
Asfixiado 
Morro neste silêncio ensurdecedor

Se eu pudesse ao menos contar-te tudo que sinto
Morreria ou me condenaria
Assim, nada temeria 

Não haveria noite, nem dia
Nada para explicar, nada para revelar
Me libertaria no sabor de minha nudez

Os dias

Você me desmascarou, desmascarado fiquei nu
Tão nu e desmascarado de modo que você
atravessou-me afiadamente, me deixando indefeso

Eu me vi, doeu me ver, doeu perder, doeu 
Me perdi, perdido implorei:
Não me deixe ao relento

Pois há tanto medo em mim
Medo, medo, puro medo
De mim e do que não posso aprisionar 

E os dias passam e os desesperos não, os dias passam
Que mal vi o tempo passar, e passou, passou, 
até que as horas ficaram mortas, mortas, mortas
E tudo fedia, fedia em mim, fedia de podre

Coisas apodrecidas, velhas, esquecidas, apodrecidas
Que mal sei por que apodreceram
Mas apodreceram

Agora, estou podre tentando me remendar
E você mal entendeu o odor de tudo isso
Afinal, tudo ficou barato, tão barato
Que saiu no mijo desses dias cinzas e confusos

Cemitérios

Dizer que gosto de chorar,
                              nem um pouco
Dizer que gosto de estar triste,
                              jamais!
Porém, às vezes é preciso tudo isso,
                              para não enlouquecer
De modo que é preciso mudar o rumo,
                              trocar a roupa,
bagunçar um pouco as ideias, acertar o ângulo
                              e colocar o lixo para fora
Devagar e consequentemente sem pesar... Pois,
                              os cemitérios não me convencem mais

Exílio

Não me lembro de quando aprendia matar 
Esfaquear, saquear e cuspir no que não presta
Na verdade, eu pouco me lembro de onde veio o ódio
Mas tive que aprender a esmurrar, gritar e tomar quando a esperança falta
E tudo me falta e quer me condenar
De modo que vejo desespero o tempo todo

Sociedade de merda
Me deixa com sede e com muita desconfiança
Por isso, quando os demônios espreitam com suas verdades e moralidades
Limpo o rabo com suas teorias

Aprendi não me importar com loucuras de papel
Quero apenas me manter vivo nesta cidade vazia e suja
Desavergonhadamente sendo sua sujeira, amoral e delinquente 
Porque o que me incomoda apenas,
é esse cheiro de bosta que sinto
Exala

Imundice
Dos porcos, dos canalhas, 
traidores e covardes
Que cagam na cabeça da povo

E eu, 
sou povo da cidade dos viciados
Porém, qualquer dia, qualquer hora
Todos se juntam e vai ser muita merda
Por enquanto,
vou urinar sobre suas vias e esquecer...
Bem devagar
Matando...

E matar dá gosto
Igual lâmina afiada para o corte

Matando
Cada ser e cois…

Me deixa morrer de tédio enquanto posso

Me deixa morrer de tédio enquanto posso
Me deixa encher a cara e dormir na rua enquanto posso
Me deixa transar e me masturbar enquanto tenho vontade
Me deixa... pelo menos 
enquanto a promiscuidade ainda não foi institucionalizada como crime

Sinceramente,
estou pouco me fudendo para a moralidade
Cago e ando para leis que não me deixam gozar

E não venha me falar em códigos
Sou bicho solto e meu dialeto  só cabe palavrão

Cu
Buceta
Rola
Porra
Caralho

Doeu?
Não dói nada! Deixa entrar
Deixa viver e liberte-se de tudo que pasteuriza e torna tudo estéril
Só a vida em orgasmo vale a pena!

Minha fúria

Tenho me sentido muito mal
Não é fácil chegar aos 36
Não é fácil olhar e ver poucas mudanças

Tantas traições
Tantas desesperanças
E tantos novos discursos

A verdade que vejo é perversa
Se continuo é por pura teimosia

Porque chego a essa idade tão desconfiado quanto antes
Tão pior e amargo quanto nunca fui

Não vejo futuro... Não vejo nada!!!
Somente uma maldita fé que quanto mais a tenho
Mais desconfio e mais odeio teorias e conversas que nada movem

Pois enquanto tudo é sistematizado
Vidas se perdem
E a minha vai junto
Perdida, embaraçada... Covardemente tratada como lixo

Confesso cegueira de tanto ver
De tanto sentir fome
E a fome amigo, dói e te muda tanto
Que nem vale a pena lembrar

Mas isso, deixa guardado
Um dia te conto mais...
E talvez tu entenda minha inconstância

Minha fúria
Meu silêncio

Eu poderia

Eu poderia ser Shiva 
Eu poderia ser Frida 
Eu poderia ser o céu, o sol e a lua

Eu poderia ser Abapuro
Iara, curupira, urubu

Eu poderia ser as águas de março
Todos os sonhos, mentiras 
e tudo que é humano e falho

Eu poderia ser Marte, Netuno, Plutão
Oxum, Ogum e Iemanjá

Viajaria num rabo de foguete
Beberia todo fel, todo o mel e absorveria caos
Me libertária numa era de significados sem significantes
Eu me feminilizaria

Eu tudo poderia, tudo! Segurar o mundo entre os dentes
Deter toda a máquina e desvendar todos os mistérios
Mas sou apenas um par de seios que te amamenta
E isso é o suficiente para ser tudo o que jamais pensei ser

Ah! Minha linda cidade vicentina ( parte II )

São Vicente
Eu te pergunto: Você é uma cidade feliz? Com todos os vermes e parasitas que te usurpam?
São Vicente Eu te pergunto: Quantos trastes você sustenta? Com o dinheiro do povo
Ah! Minha linda cidade vicentina
Quanto provincianismo corre por tuas veias e vias? Quanta tacanhez ainda te amordaçará?
Te fizeram palco e palanque de disputas soberbas Te amarraram num pelourinho, te açoitaram e te contaram mentiras E pela manhã tu virou de todo mundo e de ninguém que te mereça
E eu, nascido de tuas entranhas em noite de lua cheia Criada no fio de esperança de um cuzinho pregado na merda Garanti sobrevivência do jeito que pude, por isso, te odeio e te amo, numa relação desgraçada que te vejo sendo usada  e assim, sou também usado. 
Caralho! 
Eu quero botar o bloco na rua (parafraseando Sampaio) Eu quero poder ir à praia e não tomar geral da polícia Eu quero poder ir ao CREI e ser atendido com dignidade Eu quero poder mijar, transar e gozar sem ser censurado
Mas não! Aqui... Só um monte de cuzão! 
Esperando o ca…

Eu não serei dócil

Minhas ideias não são dóceis
Minha natureza não é dócil
Não há porque ser dócil
Eu não sou dócil e nunca poderei ser dócil

No dia em que eu aceitar ser dócil
Meu espirito, minha alma e o que me define se perderá
Tudo em mim será vazio, perderei minha essência
e morrerei igual bobo da corte buscando caminhos que não são meus

Eu jamais serei dócil
Pois, a docilidade é corrente e mordaça
Açoite e escravidão
Eu não serei dócil, não nasci para subserviência!

Sem ctrl z

A vida é um ciclo de novas tentativas
Um sonho que caminha em direção a morte
Tentamos renovar em cada início de ano
Ritualizando a passagem para se livrar do insetos e das pragas

Mas, formatar a máquina é só uma maneira de virar a página
Evitar os excessos, acreditar em alguma merda e tocar adiante
(Upgrade) Esquecer o que travou e conservar o que valeu a pena

A verdade é que tudo dura o tempo de dar em arquivo de erro
Aí só resta a esperança e a saudade 
Daquilo que não fomos e daquilo que aspiramos
Sobrevivendo em arquivos .exe