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Mostrando postagens de Novembro, 2012

Tempestade

Não é fácil não ter amor... Viver sem futuro
Abandonado ao relento... Em excesso de palavras
Em tempestade constante

Queria retirar minha armadura, deixar está guerra
Ser eu, sentir dor. Não fingir ser de aço!
Poder chorar muito, o tempo inteiro
Sem medo ou ressentimentos

Poder encontrar um ponto de convergência entres pontos e vírgulas,
até pouco se importar com as ideologias, as mentiras e os pesadelos
Afinal, para que servem merdas?
Somente para isolar e assassinar

Que me chamem de covarde o quanto quiserem
Eu sei de onde vim e porque estou aqui

Anacrônico
Sou pássaro sem repouso
De asas quebradas resistindo aos ventos que querem me matar

O que me mata também me mantém vivo

Eu não consigo ter um motivo para me alegrar Confesso que tento, construo, improviso, até finjo Mas diante da realidade que explode Não há um único motivo para sorrir

Tudo vira merda
Tudo vira perda, 
abandono, desprezo, ideologia, alienação e ódio

Não fui convidado para esta guerra, não a criei, nem muito menos ela me fascina
Nasci dentro dela, esmagado, revirado, amaldiçoado, escravizado, acorrentado
Determinado em cada passo, em cada respiro, em cada prato, teto e carinho

Me explica então? Qual o caminho? O que tenho que fazer para não  parecer um louco,
um autoritário, intelectual de merda, ou sei lá qual rótulo mais... 
Porque ser condenado quando tudo que tenho 
são arames farpados cercando minha existência servil

É perverso...

Eu sei o que senti, vivi, vivo e vejo explodir Por isso não sonho, não durmo, não aspiro, não projeto Não é fácil estar em pé... Integralmente
A maioria precisa fingir, se isolar... Cultivar mentiras

Para mim lutar não se trata de devolver o açoite
Mas encontrar uma folga n…

Eu no atacado das carniças

Expuseram-me num balcão 
Colocaram-me um preço
Esbofetearam minha existência

Fatiaram minhas ideias
Venderam meu sonhos
Trucidaram minhas utopias

Lançado no mercado do consumo
No atacado da estúpidez
Virei carniça

Sirvam -se de mim
E morram de indigestão
Até cagarem sangue

Não há respostas

Sou do tempo em que todo esse bairro era feito de lama
As casas, as ruas, as pessoas e os sonhos
Lama de madeira, lama de concreto, lama que endurecia vidas
E as faziam suportar todos os desesperos impostos

Poucas escolas, poucas praças, poucas esperanças...

Enquanto crescia, acostumei a ver o que não devia se ver
Aprendi o que não devia se aprender... Antes do tempo
Se é que existe um tempo para entender sobre a morte,

a dor, o sofrimento, o abandono... Um corpo esquecido na vala
O pastor gritando glória e a chuva de bala na madrugada

A vida às vezes parece tão perversa
Os becos, as quebradas vão se naturalizando em nossas entranhas
Tornando-se partes de nossas vidas
Criando insistentemente sistemas de defesa que nunca nos abandonarão

Será? Ou é só o perpetuamento de uma guerra?
Mas não importa... Afinal, quem viveu sabe da merda que sentiu na pele
Sabe de tudo que perdeu ou que nem a chance teve de conquistar

Quantos velórios já rolaram de lá para cá?
Quantos choros e lamentos tivemos que superar?

As…

Teu abrigo

Você és parte de mim?
Ou uma extensão de como devo ser?
Eu te orientarei, ou serei o orientado?

Quem dera
Quem dera eu ser algo para ti

Cheio de defeitos e de medos perpétuos
Tu vens em tempos de tempestades
Me renovando com esperanças que pensei ter perdido
Por isso, admito coragem e um pouco de insensatez

Confesso sem dúvidas

Te amo para além de mim,
mesmo quando não te quero
Mesmo quando sei que tu vais partir,
e podes nem me querer por perto

Serei teu abrigo até que me mate e encontre tua liberdade

Cansado

Hoje
Estou cansado, muito cansado
Dos discursos, das práticas e das sabotagens

Hoje
Não tem ação direta, não tem discussões
Não tem filosofia ou teoria para intelectuais se gabar

Hoje
Repouso em mim, hiberno e pago meu aluguel
Esperando a próxima traição, o próximo ato de uma vida miserável