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Mostrando postagens de Julho, 2012

Terra árida

Tenho cuidado de vasos, cultivado plantas Quase sempre preparado a terra, com insumos e velhos truques de esperança
Tenho acordado cedo, mirado o horizonte Com poucas ilusões, com poucas utopias Mas com alguma fé no dia a dia
Tenho sido um agricultor simples... Somente Resistente as tempestades, os abandonos, as pestes e as intemperanças da vida
Sem muito a oferecer, sem muito a dizer Tenho apenas tentado viver  sem reproduzir minha prisão, minha solidão

Meu mundo programado

Estuda, trabalha
Se esforça
Faz um curso, passa
Se forma


Acorda, levanta
Se ajeita
Escuta, se adapta
Disputa


Minta, segregue
Exclua, passe por cima
Vença


Não sinta, não chore
Não grite, não se acomode


Seja forte, de aço
Frio, calculista
Macho

Pergunto:

Onde no meio de tudo isso a gente tem tempo para ser feliz?
Onde no meio de tudo isso a gente consegue ser a gente?


Eu não sei

Na trincheira

Andar sobre essa guerra sempre me assustou
Tento encontrar abrigo, mas em meu íntimo percebo
Que lutar é o único caminho que me resta
E não há nada que me faça pensar ao contrário


Diante de tanta opressão, de tanta moralidade
De tanto aprisionamento da vida
Sinto-me embriagado de indignação  
Inconformado e brutalmente tomado de ódio 


Não acredito num mundo pragmático
Não acredito na mentira institucionalizada
Não acredito em verdades morais
Não acredito em nada contrário a liberdade


Renego todas as formas de dominação
Renego todas as formas de opressão


Cuspo no proselitismo
Cuspo no fanatismo
Cuspo nas normas institucionais 
Cuspo em tudo que quer determinar e subjugar a vida

Pois, mesmo cansado desta mortalha
Não aceitarei morte imposta 
Não aceitarei que assassinem minha consciência


E neste caminho,
sei que a morte espreita
Mas morrerei na luta, não na derrocada!
Na trincheira, junto com meus irmãos e minhas irmãs de luta