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Mostrando postagens de Junho, 2012

Qual o sentido da vida?

Quando tu me pergunta:
Qual o sentido da vida? Pensando que o futuro é triste
Isso me machuca na alma
Me atira num inferno de desesperança insuportável


Tento tecer uma resposta que te livre das dores da vida
Mas começo a perceber
Que é tempo de te revelar que a vida aí fora
É cheia de pesadelos


Precisamos ser fortes o tempo todo
Porque o vazio é um mal de nosso tempo
Que mesmo quando enfrentamos demônios e vencemos
Outros surgem bem piores


Te peço calma
Te peço confiança


Que nesta tempestade sem fim, mesmo longe
Estou contigo, brigando muito
Pois, minha vida não vale nada sem você
Pequeno filho

Frenesi

Acho o mundo pequeno para mim Mas juro que perto de ti estou cabendo nele Façamos um trato de manhã e outro de tarde
Depois, vem de noite e me acolhe por entre teus cabelos Juro abrigo e um pouco de desespero
Mas antes do amanhecer
Me deixa ir embora, viver minhas paixões,
minhas vaidades... Fugir dos medos e das aflições

É tudo tão breve e sou tão confuso
Que seja então, um amor insinuante em cada gole


Um libertar em cada beijo  Um frenesi de loucuras e de desejos
Para que assim, vivamos livres em cada segundo

Liberdade estéril

Desde muito cedo tentei entender o segredo da vida
O sentido de minha existência
Confesso que me encontrei rapidamente
E investi forças naquilo que me fazia feliz


No entanto, fui percebendo os embargos 
Impostos cruelmente por uma sociedade pragmática
Que valoriza o imediato, a praticidade e o externo


Jovem imaturo, atirado num inferno de opressão
Cai em desespero e morri mil mortes
Tentando entender minhas convicções
Sangrei, por anos sangrei.


Até entender os códigos
Até entender que as condições materiais podem determinar a vida
Mas que a luta por nossa identidade e por nossa subjetividade
É uma constante de práticas que podem vencer o trator da ignorância


Sendo assim, minhas escolhas também determinam minha vida
Porém, a busca por liberdade é construída coletivamente
É no outro que me reconheço e me liberto
Ao contrário disso, é liberdade estéril

Partícula no infinito do universo

Para dizer a verdade
Eu não tenho verdades
Não sou crente em nada
Em nada sinto vontade de acreditar


Minúscula partícula no infinito do universo
Centrífugo-me apenas com minhas dúvidas
Que alimentam buscas
Livres e desprendidas de suposições 


Recuso um papel social inútil
Recuso valores sociais falsos e ridículos
Recuso todas as regras, todas as leis e todas as  formas de subordinação 


Para além de convicções
Sou energia que flui pelo mundo
Átomo
Parte constituinte de tudo que existe e que nunca termina


Chega de ter a liberdade machucada
Pelo veneno da verdade
Da moral
Do estabelecido


É tempo de erguer-se para além de um quadrado de ideias

Guardar em mim

Queria poder te guardar em mim e curar suas dores
Preencher teu vazio e costurar todas as suas feridas
Quem sabe tecer outra história, inventar outra maneira de viver
Que nela não caiba nenhuma angústia e nenhuma vibração de desespero


Escovaria teus cabelos para afastar teus medos 
Beijaria teus lábios para te fazer dormir
Contaria mil segredos para te proteger do frio
Trancaria todos os teus demônios em infernos distantes


Queria poder ao menos te acalmar... Te dizer que a vida é bela e não machuca
Enfeitada de caramelos, de chocolates e de jujubas que caem em gotas de orvalho
E realmente foi descoberto que as nuvens são de algodão  
e bem lá no fundo nossas fragilidades são de mentirinha


Peço desculpas, não é nada disso...
E minha miséria só tem amor em poesia para te oferecer
Às vezes sem o menor sentido,
ou simplesmente de nada vale diante do caos


Mas, quero que saiba o quanto estou contigo
Perto, ao lado, de mãos dadas, te respeitando sempre
Caminhando sobre todas as incompreensões e 
desafios que e…

Para além das sujeições

Tanta aflição 
Tanto desespero
De onde vem toda essa insatisfação?


Sou alguém perdido sem minhas ideias
Sou alguém perdido sem minhas aspirações


E para onde vou?
Senão caminhar em busca de outros abrigos
Senão caminhar em buscas de outras contenções
Entrincheirar-me de sonhos e desejos


Há dor e angústia em tudo
Condicionamentos sociais 
Controle, dominação, intolerância
Absolutismos da esquerda para a direita


Vazio


Mas nunca desisto 
Nunca deixo de acreditar
Mesmo quando estou aos trapos


A paixão que me move também me socorre
Em dias de frio
Em dias de morte
Nos lábios e nos braços do amor que não tem dono


E quando chegar minha hora, quero ter a certeza
Que não perdi minha identidade
Não troquei intuição por razão
Religiosidade por ciência


Lutei minhas batalhas
Vivi minha guerra


Como um guerrilheiro 
Consciente, que ser fuzilado
Não é perder
É viver para além das sujeições

Liberdade rotulada

Não me feche num quadrado de ideias
O espaço é pouco para minhas vertigens
Oras, não sou uma coisa para ser classificável
Por isso, não me desmoralize com os teus conceitos de vida


Sei que precisa disso para mentir para si mesmo
Legitimar tua desgraça
Teu vazio
Teu fanatismo


Colocar a pica na mesa, servir  intelectuais em bandejas
Gente que sistematizou a sabedoria popular e a colocou numa gaiola
Nomeando a de "conhecimento"
É muito violento e tenho asco disso


Te falo: não sou altruísta, leninista, marxista, anarquista, puta que pariu ista
Não ponho ideias para brigar 
Afinal, só tenho ideias

Não verdades


Desculpe, mas não vejo amplitude na tua liberdade rotulada
Qual é o nome disso?
Só vejo um ciclo de valores ridículos


Não viverei assim, matando o pai e se tornando outro
Mais um ismo definindo a conduta moral de uma geração
Quanta objetivação da vida


O que sei apenas é que sou parte constituinte de algo para além de significações

Deixei um câncer crescer em mim
Por pura estupidez 
O subjuguei


Instalou-se


Se tornou tão nocivo que confesso sentir medo
Há um preço em dor... E solidão


Carrasco


Mas de qualquer forma terei que arrancá-lo
A força


Pois sua violência está me matando
Estou morrendo

Prisioneiro de mim

Acalentei minhas dores
Escondi minhas fraquezas
Caminhei por manhãs cinzentas
Chorei sem lágrimas


Secamente vivi me perdendo por aí
Em desespero, em luxúria por qualquer canto, beco ou viela
Ao lado de uma ressaca sem fim
Pensei que morreria 


Prisioneiro de mim
De minhas loucuras
De meus medos 
De minhas negações


Fugi por inteiro, confesso...


Mas a vida em seus redemoinhos
Resolveu me surrar 
Rindo de tal tragédia
Ergui-me do inferno e me salvei por entre teus cabelos


Assim, atirei-me mais uma vez 
Para dentro da estrada que escolhi

(assim, livre e satisfeito)

Quem sou eu no meio deste caos cósmico?
Procurando respostas que nunca irão me convencer
Sou puro instinto assassino de qualquer construção que paralise a vida
Confesso, que me dói em ausência muitas coisas


(inclusive a minha)


Mas se tiver que morrer hoje, de nada me arrependo
Lutei minhas lutas e encarei meu inferno cuspindo lixo nos hipócritas


(feliz, sim!)


Vivi e viverei da forma como quero (pagando preços infernais, reconheço)
Mas, consciente e combativo até o osso! Sinceramente, nada quero deixar,
além de minhas loucuras e uma faca bem afiada para rasgar e mutilar canalhas


(assim, livre e satisfeito)