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Mostrando postagens de Maio, 2012

Entre músculos e movimentos

Na contra mão das construções sociais Vivo com o que penso  e de acordo com o que me faz bem
Insinuante, admito em vaidade que meu espirito voa longe o tempo todo Só ama o que é vadio e sem governo... Libertino... Não aceito regras
Por isso, quando tu vem e me  toca com tuas mãos Teço fantasias com teu corpo junto ao meu e regojizo 
Um pouco calado Um pouco desesperado Inebriado pelo súbito querer proibido... Selvagem
Desejos... Liberdade... Paixão... 
Sufocados torturam

Mas tu me liberta e me aprisiona
Numa feroz penetração de olhos nos olhos Entregue a ti, faleço em teus braços  Assim, transcendo entre músculos e movimentos.

Lubrificar

Que me critiquem os revolucionários de textos
Mas a vida sem uma gota de tesão não serve para nada
E depois de tantas loucuras que vivi
Só vou para cama com quem possa me seduzir libertinamente no corpo e na alma


Isso, é claro, depois de um bom sexo oral e uma cerveja barata para lubrificar

Fragmentos

Habitam em mim tantas outras vidas 
Partes antagônicas, convexas, dicotômicas, similares...


De tempos em tempos
Algumas partes não refletem quem eu sou 
Outras se perdem ou não se encaixam mais


Percebo que sou constituído por tantas partes diferentes
Neste rol que vamos assumindo na vida 


Penso na unidade do que sou
Em composição contínua


Algumas partes me alegram, outras querem minha morte 
Algumas são tão ingênuas, outras me assustam
Ainda assim, partes do que sou  


Queria poder sustentar algum ponto de fuga
Traçar uma linha no horizonte
Alegrar-me com as pessoas que passam apressadas
E demarcar meu espaço temporal


Mas entendo que sou constituinte do acaso
Não posso domar o destino
Nem controlar a vida


Percebi com o passar dos anos
Que a parte que me cabe
É aquela que não recuso ser, ou oferecer

Árvores secas

Em dias cinzentos de caos
Queria saber por onde caminhar 


A realidade humana construída
Tudo nos tira, tudo nos usurpa,
dos sapatos ao último fio de cabelo


Tento olhar ao redor e sentir novas energias, pensar novas ideias, 
quem sabe, experimentar um grão de liberdade ou de companheirismo
Mas, tudo que percebo é quão miserável tornou-se nossa condição humana


Que força é essa que não se equilibra? Arquitetura do controle
Tudo está monitorado e nada mais nos pertence
Nada mais nos diz respeito ou representa


Refugio-me em minhas abstrações, porque sinceramente,
não sei o quanto vale a vida dentro dessas significações

Contudo, sofro todos os dias por sonhar  e viver pelo avesso
Descobrindo em cada momento, que não há bifurcação nessa estrada idealista
Escolhas são ilusões e a impressão é que todos os sentidos satisfatórios foram roubados,
ou nunca existiram de fato


Confesso, sinto-me selvagem diante da vida, de pouca fé, de pouca esperança
As vezes penso que viver encavernado seria menos brutal, 
pois tudo…

Bem-vindos, pois a morte é certa!

Quem somos? Para onde vamos?
O que é a vida? Quantos já se perguntaram?
E sabe-se lá de que forma se resolveram


Individualmente?
Coletivamente?


Eu não sei! E cheio de ódio só posso perguntar
O que é esse sistema econômico que nos despreza?
Nos tranca em calabouços e se apodera


De nosso suor, de nossas mentes, de nossos filhos, de nossos pais, de nossos amigos, de nossas alegrias... Maldito sombrio espectro da desgraça!
Exclui, mata e devasta! Não é realidade abstrata
Pra além, é covarde e canalha


Aqui estamos nesta bifurcação mortal
De um lado o caos
De outro, utopia


Queria apenas viver e me matam todos os dias
Empurram-me um papel social vazio
Com uma função inútil 
Que não condiz com meus sonhos


E o que sonho? E o que sonhamos? 
Nada sonho...  Apenas triturado, esmagado, chicoteado pelo Estado de coisas... Perverso, que se naturaliza e joga ser contra ser criando zumbis alienados, indiferentes, robotizados, conectados ao vazio cibernético da pós-modernidade


Bem-vindos, pois a morte é certa!
Senão juntar…

Nesta migalha de vida

Estou faminto de ti e tem sido difícil te ter
Te busco desde sempre e pouco te encontro
Perdão! Estou sendo esmagado
Sinto medo de fraquejar 


Na verdade, tiram tudo de mim por tua causa
Mundo de castas, dogmas e regras miseráveis
Eles te deploram, te cospem, te enojam...
Ignorantes, nada veem além de seus umbigos


Resisto, sigo... Na luta! Na busca por teu encontro sempre
Consciente, mesmo que não te encontre nesta migalha de vida
Sei que nossas almas se encontraram um dia
E no recôndito do infinito descansaremos em paz


Querida liberdade.

O véu das mortalhas!

Uma vez dormia
Entre a morte e o tempo traiçoeiro
Sonhava gozos supremos e me lambuzava


Foi assim.... De madrugada, quando uma borboleta me veio em silêncio
Num pouso senti suas dores junto as minhas... Aceitei a volúpia que me envolvia,
confesso, cai de joelhos e me abri em versos para o eterno segundo


Sabia, apenas sabia
Que havia de ser decretado feriado a partir daquele instante
E como nada me cobrava, deixei penetrar por entre as coxas
aquele amor puro, libertino, amaldiçoado, desesperado... O véu das mortalhas!


Transfigurado me trancei nele com medo de feri-lo
Mas em pouso suave ela lavou-me o rosto, enxugou-me as feridas e
me fez olhar sua alva que incandescia
Liberto. Feito menino, morri...  Vacilante... Na cópula de uma borboletinha

Erva daninha

Há correntes em tudo que vejo
Muros, concretos, governos
paredes de ilusão... 


Miopia?

Infrinjo um golpe no escuro por cortejar a liberdade  
E teço minhas ironias ao vento
Confrontando a cegueira deliberada


Assim, 
planto venenos e espalho morte
Bem sucedido em horas incertas
Absorvendo caos para disfarçar


Desde sempre  ou quase,
erva daninha

A rua é lugar de luta!

A rua é lugar de luta
A rua é lugar de aglutinação
A rua é lugar de pensamentos
A rua é lugar de mobilização


A rua é lugar de encontrar os trutas
A rua é lugar de fazer as correrias
A rua é lugar de produção
A rua é lugar de circulação


É na rua que a gente se conhece
É na rua que a gente se fortalece
É na rua que a gente ocupa
É na rua que a gente transforma


Na rua sempre tem um mano
Na rua sempre tem uma mina
Na rua sempre tem uma opção
Na rua sempre tem uma direção


Por isso está decretado!


Lugar de poesia é na rua
Lugar de música é na rua
Lugar de teatro é na rua
Lugar de dança é na rua


Lugar de comunicação popular é na rua
Lugar de prática libertária é na rua


Junto com o povo
Produzindo ideias, produzindo arte, produzindo solidariedade
e construindo de baixo para cima o poder popular


Agora mano se tu não fecha comigo
Parafraseando te falo: você é meu inimigo!