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Mostrando postagens de Abril, 2012

Morte aos abatedores!

Por qualquer lugar que a gente se mova
Há uma corrente, uma mordaça, uma mortalha,
uma mentira, uma doutrina, uma legislação
Uma sujeição, uma instituição, uma espoliação...

Por qualquer lugar que a gente ande. Há um canalha!
Querendo julgar, escravizar, rotular,
domesticar, regulamentar, matar,
explorar, controlar, colonizar...

Nossas mentes, nossas vidas, 
nossas ideias, nossos sonhos...

Somos as mãos que constroem esse mundo
Com sangue, suor e calos
Por isso, nossas cabeças estão a prêmio

Açoitados pelo Estado
Somos o gado preparados para o abate
Sentenciados desde o nascimento
Marcados pela força da opressão

Basta! Não mais viver sem direitos
Não mais viver sem liberdade

Maldita seja a lei!

Onde há lei
Existe algo errado
A lei destrói nossa essência (natureza)

Submete nossos pensamentos a uniformidade
Exclui nossas vontades
E mata nossas esperanças

Maldita seja a lei!
Malditos sejam todos que a criam
Cínicos de merda

Não há bem comum sobre lei
Só a legitimação da propriedade privada
E o acorrentamento da vida em liberdade

Tonalidades

A geografia da cidade
é como um sentimento que se perde,
quando não se conhece o caminho de volta

Fica trancado em verve
Até que um dia inesperadamente
Reinicia-se na amargura de um beijo calado

Vida e guerra se misturam em tonalidades difusas

Para além das flores

As vezes,
a tristeza não cabe num verso.
Quando isso acontece, não tem poesia e
nem remédio para dor... Tempo de recomeçar.

Desejo vil ao avesso

Arde em mim essa insatisfação
Incontrolável
Cruel
Mortalha


Se procuro respostas, tão logo partem


Desejo vil ao avesso
Reveste-me em dores
Abismos de solidão afiados


Não temo


Nada penso, além do que sinto
E nada sinto aquém do necessário
Qual posso isolar, afastar e macular


Queria somente
Repousar em liberdade
Deixar passar essas doenças que infectam


Quem sabe até
Renascer num inferno barato
Enquanto a alva da manhã
Queima meus olhos no horizonte


Mas o estigma traçou minha sina
E longe das bifurcações da vida
Não pretendo assumir um papel social,
qual não condiz com minha esperanças


Sendo assim, aqui eu mato os significados
Todos eles!
Em nome do que sou
Em nome da liberdade


Para sempre, condenado.

Temporal

Brisa cortante que vem do mar
Tem gosto amargo como seus cabelos
Saudade e ansiedade se confundem
Um passo para a eternidade


Naturalmente
Há um inverno em mim
Tempo de hibernar
Angariar forças e traçar rumos


Sentir o silêncio
Ouvir canções antepassadas
E dançar o futuro


Reconstruir o novo
Revigorar a vida
Se tornar rocha em vendavais
E sobreviver as estações tempestuosas

Lascivamente

Condenado
Intrinsecamente condenado
Pelo nó de teus lábios
Pelo desejo que ferve em calabouços


Lascivamente te quis


Oh! Lâmina feita de carne, rasgou-me
Igual brisa triste que sopra do mar


Lâmina de abutre, arrancou minhas tripas,
feriu meus pulsos e bebeu meu sangue


Envolto, te ofereci meu corpo ainda quente


Mas não era a morte uma oferenda
e nem um rito de renovação
Era apenas um passo para o infinito


A quem se permite viver sem flores
E se perder sem mágoas num copo de embriaguez


Assim morrem os sonhos
Todos morrem


Condenados ao delírio febril de amar

Carta aos Rinocerontes

Ah! Como eu gostaria de perguntar: conhecem a liberdade de fato? Rinocerontes
Porque discordo de vossas teorias geniais
Que ao meu ver, entediantes...


Um encontro bastaria para tirarmos nossas dúvidas
Mas como a comunicação na era da informação se tornou míope
e pouco exercida organicamente
Talvez, os encontrem por aí no click de um mouse


Pois bem, adianto o tema e o coloco entre aspas
Como símbolo do encaixotamento, engaiolamento ou como preferir, seguimos:


"Exemplificação da vida"


Desculpe o cinismo barato de boteco, mas ignorar não posso
Oras, não dá para colocar numa caixinha algo tão complexo
É coisa de quem não conhece a si mesmo


De quem se limita e tristemente da mesma forma que é,
será, novamente guiado feito gado, só que desta vez,
pelas distantes colinas da liberdade que foram tecidas


Quem foi consultado? Liberdade é um conceito selvagem
E de jugular para jugular, o que alimenta as feras?


Digo: esqueça! Caminhei muito, conheci o amor e transei muitas loucuras
Para descobrir que não…

Entre laçar

A parte de você em mim
Quer tudo lhe dar
Lhe oferecer
Entrelaçar


As vezes se confunde
Fica triste
Quer partir
Desenlaçar


Outras vezes
Te olhar nos olhos
Se acalmar
Querer colo, respirar


A parte de você em mim
É forte, louco, livre e vadio



Assim, quase por inteiro

Sabotagem

Não sou flor que fura o asfalto
Nem pedra no caminho
Sou apenas um adeus na beira do cais
Querendo mais um gole de veneno


Caminhando assim, de punhos fechados
Pensando em novas fugas que me tire do tédio
Que me absorva em sabotagens, sabe
meu cérebro vai a mil em um segundo


Por isso, não faço guerrilhas cibernéticas
Nem afio minha língua com dicionários
Prefiro os ataques diretos e orgânicos
As guerras de olhos nos olhos, num quarto escuro embriagado


Velho demais para armadilhas e truques de brinquedo
Vou para casa, desculpe!
Se for para morrer
Que seja de tédio, bem mais poético!

Inerente

Sei que estou morto e a consciência é triste
Maldita seja a lúcidez, a pior das loucuras
Queria poder fingir que nada acontece
Mas se guardo isso dentro de mim, pior me sinto


Por isso, vomito minhas úlceras no ar
E me faço de invisível ou de indiferente
Foi assim que matei deus
E todas as outras desgraças que empobreciam minha vida


Mutilei
Sangrei
Fui implacável


Afastei para longe o que me chicoteava
Sabotei tudo e construi armadilhas de proteção
No fim, apenas descobri que minha liberdade é inerente a dor
E que este quarto é vazio sem você

Vivo a caminhar

Vivo a caminhar
Este caminho de pedras
Esta realidade de feras


Vivo a caminhar
Estes tempos que devoram
Estas instituições que exploram


Vivo a caminhar
Assim, um tanto solitário
Um tanto perdido
As vezes, de coração partido


Vivo a caminhar
A lutar
Sangrar
Sofrer e chorar


Sentir


As dores profundas que marcam a carne
De quem não aceita, os açoites das imposições


Vivo a caminhar

Silêncio... Nada ouço

Só, neste quarto escuro
Minha mente é um cemitério
Tempos mortos a recordar, pergunto:
quantos cadáveres carrego dentro de mim?


Silêncio... Nada ouço


Triste obssessão pela morte, esquarteja
Transborda meu peito em sangue
Goteja quem sou, mas quem sou?
Neste mundo de parasitas humanos


Até o dia amanhecer e a vida podre recomeçar
Irei esperar mais uma vez o tédio
Companheiro amigo de meus prantos
A quem me refugio deste insulto que é viver

Desejo mecânico

Segui teus passos
Li tuas poesias
E de pronto quis te amar


Sentir tua alma
Tua essência
Desejo mecânico que transcede
Deste algo, que não conhecia


Derrepente, tu me quis
E num súbito soluçar
Senti crescer dentro de mim
Esse abrigo, livre, louco e amoral
Sem culpa ou remorso gozei


Frágil, sentindo a leveza dos mortais e o peso das morais


Enlouqueci em silêncio e entreguei minha alma
Meu corpo, minhas dores, tudo!


Mate
Profane
Liberte
Ritualize


Esse sentimento sem nome, sem regras e sem obrigações
Até que ele evapore e retorne as galáxias perdidas de nosso tempo

É preciso resistir!

Onde a propriedade privada valer mais que a vida
O que será de nós? Pessoas oprimidas


Onde o desenvolvimento valer mais que a vida
O que será de nós? Vossas senhorias


Lutemos contra essa perversidade
Que mata e destrói nossas comunidades


Nossos filhos, amigos, lutadores,
biomas e sementes crioulas


Os tratores do agronegócio
Com seus lucros que financiam a bancada ruralista
Não podem destruir nossos sonhos, nossos alimentos e nossa cultura


A especulação imobiliária não pode higienizar a cidade
Tratando os desabrigados como lixo
Marginalizando, expulsando e transformando tudo em concreto


(a cracolândia é uma questão de saúde pública, de um sistema social que não funciona)


Ter acesso aos direitos humanos fundamentais
Como educação, saúde, moradia, saneamento básico, transporte, trabalho, cultura, lazer e informação é um direito!
Como direito ao ócio também é!


Só que o Estado não de é direito...


Por isso
Chega de viver acuado
Expulsos de nossas terras


(qual pertencemos e parte dela somos)


Nossas casas, nossas v…

Não ouse por a mão em mim

Pra além de nossas diferenças
Existe a realidade concreta
Pra além de nossas certezas
Existe um mundo não consultado

Parte dele sou
E não vou retroceder
Cansei do fascismo intelectual
Da direita, da esquerda, do centro e seja lá de qual inferno

Não ponha a mão em mim
Não me diga o que tenho que fazer
Não prive minha natureza
Vivo como quero e odeio sua imposição

Salvadora
Paternalista
Filantrópica
Acadêmica
Missionária
Libertária

Não ouse por a mão em mim
Não ouse me ditar regras
Não ouse por um minuto
Não ouse por um segundo

Serei livre sim!
Desconstruindo o lixo que suas convicções e instituições empurram.

Cerceados

Onde a terra valer mais que a vida
Muito mortos ainda veremos nessa luta

Ontem morreu um jovem assassinado pela polícia
Semana passada um sem terra por um jagunço
Amanhã um indígena, um quilombola ou um ribeirinha...

Traduzindo: um oprimido... Cerceado de viver

E quantos mais o Estado precisará matar?
Quantos?

Expulsões
Massacres
Violações

Na defesa do capital o rolo compressor do Estado é implacável
Opressão generalizada!

Belo Monte
Moinhos
Favela do Canão
Pinheirinhos
Raposa Serra do Sol

A lista é imensa e não para

Essa é a realidade que explode
Essa é realidade que temos que enfrentar

Pois o que eles tem a oferecer é o de sempre, assistencialismo e opressão


UPP
PAC
Copa
Pré-sal

A mesma conversa desenvolvimentista
O mesmo papo furado que não vale nada

Até quando?

Eis aqui um pobre sonhador míope

Neste universo de vida e luta
Eis aqui um pobre sonhador
Fazendo contornos num combate
Suicida e libertário

Sentimentos
Veemência, dor e paixão
Num caminhar solitário de criticas
Onde muitos morrem e outros abstraem

Enquanto a dor humana causada pelos açoites da exploração
Naturalizar-se em contemplação, reuniões de marasmos, teorias e explosões de egos
Estaremos ferrados!

O trabalho nos consome diariamente
Oito, dez, doze horas...
Há ação mais direta que essa?

Por isso
A revolução é diária!

É de cara na realidade que se contrói a fusão
Do sonho com a utopia e a prática

O movimento, a ação, não é morrer de lucidez
Entupindo-se de livros e textos
É erguer-se pra além da rima

Bombardeios diários

Hoje não tenho verdadesNa verdade eu nunca tive Sempre que posso, deixo escorrer
E falo isso porque me assusta As verdades... Intolerantes Elas sempre são Cegas e de guerra
Sinceramente já tenho as minhas Verdades não Guerras E quase morro de bombardeios diários
Por isso odeio verdades Seja lá de onde elas venham Sempre matam
Sempre

Quanto a mim, não facilmente.