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Mostrando postagens de Março, 2012

Perdido em si mesmo

As vezes tudo é perdidoCom dor, ofuscado, frio e ápatico
Sem abrigos confiáveis
Sem saídas fáceis

Será o silêncio resposta palpável?Será? E quem sabe na perca encontrar o que partiu
E como todo partir divide Será que todas as partes são somas?

De um ritual não revelado
De um molde imperfeito

Mesmo quando o fim é prelúdio de morte
E as lâminas afirmaram que era pra morrer
Será? E por que não?

É tudo áspero

Não há nada de belo no mundo
Somente caos, abandono e descaso

Não tem luz
Não tem túnel
Não tem porra nenhuma!

Desculpe
É assim...
Uma merda!

E mesmo quem se engana
Com os cantos e encantos da sereia
Morre tolamente tragada pela ilusão

Ou seja, mais uma sessão assistindo um filme que não presta
Alienando-se

Assistindo novela
Redessocializando
Teorizando a sociedade
Construindo respostas para o universo
Ou se masturbando num quarto escuro

Deixe seu papel social de lado
Não creia nele, cuspa nele!

Você acredita mesmo que contribui para o bem estar social?

Quando transa liberdade construída
Discute injustiça e coisa e tal...
Não seja hipócrita, assuma sua individualidade!

Não percebe a furada que é viver pausterizado
Traição, egoísmo e blábláblá... Utopias sem fim

É tudo áspero
É tudo podre
É tudo o que somos!

Parte de minha parte

Eu te senti em silêncio
Enquanto você calmamente dormia
Senti um mundo em explosão
E a responsabilidade que escorrerá em minhas mãos

Sabe

Não é o caos do mundo que me assusta
Ou as coisas fora do lugar
É este sentimento que nasce pra além de nossas compreensões
E amarra nossas vidas incondicionalmente

Confesso, um pouco apreensivo
Medo talvez, admito...
Pela miséria que a ti não quero legar

Mas creio que mais miserável seria
Significar verdades absolutas
E se esconder por aí
Por trás de ideias frias

Assim, neste mesmo movimento que tirou-me do lugar
Eu te recebo com unhas e dentes
E por ti matarei
Parte de minha parte

Mecânica dos corpos

Onde foi que matamos nossas morais?
Eu não sei! E não me infelicitarei
Tear entre a mecânica dos corpos
É o segredo a ser desvendado

Por isso atravessei aquela montanha E disse: tenho uma arma em minhas mãos

Você respondeu: a morte é importante, lembra?
E com uma garrafa de cerveja fomos para o quarto
Ouvindo Doors, nus às seis da manhã
Sem nada a perder para viver

Poéticamente veja isso, que loucura!
Quem está no controle agora?
E quem precisa de controle?
Quando se tem pólvora na cabeça e desejos entre as coxas

Não se envergonhe, conte trocados
Coloque mais uma música na Jukebox
E dance essa dança dos tecelões

E morra nu
Livre
Em orgasmo
Como tudo deve ser

Pra esfaquear caretas e sabidos

Dia internacional da poesia
Pra que isso serve?
Boa!

Porque senão for pra me fazer gozar
Não saio nem de casa

Repito
Pra que serve isso?
Não sei e dúvido desse saber

Afinal, poesia não é pra fazer silêncio
É barulho num mundo surdo
Feita pra esfaquear caretas e sábidos

Fora disso, é muita pretensão

Confesso
Em poucos versos meu mal gosto pela poesia

Desagrado
Incomodo
Fétido
Cínico
Perverso

Poesias de fato
São como solitárias enroladas nas tripas
Gerando mal estar na vida inerte

Azia
Vômito
Escarro
Pus

Poesia rosinhas e bonitinhas
De anjinhos fofinhos
Não!

Vírus
Verme
Veneno
Gafanhoto

No lírio do campo e nas plantações
Porque poesia não é enfeite!

Poesia
É enunciação do caos

Porra cara! Tu morres?

Estive pensando sobre a vida
E lembrando do enorme desafio que é viver
E de quantas pessoas passam por ela
E constroem pontes que nos levam além

Lembrei de você
De tua subversão
De tua coragem
De tua audácia de viver cínico num mundo de covardes

Irá completar dois anos que tu partiu
E deixou esse legado de provocação
De zombar, peitar e transgredir essa vida mesquinha

Aprendi muito contigo
Mas é difícil aceitar
Porra cara! Tu morres?
Como assim, tu morres?

Assim não dá!

Tu morres maldito
Como um cão morimbundo
Uma metralhadora em estado de graça
Sem aviso prévio

Confesso

A vida fica mais vazia
Chata!
O mundo mais estranho
Com menos teimosos

Piva, na moral!
Sem choradeira
O açoite da vida é impiedoso
E a morte não é para fracos

Assim, só resta dizer

Obrigado pela sua loucura
Pelo seu avesso e desavesso
Que fez nascer essa poesia
Subversiva, marginal... Pra além de categorizações!

Que me ensinou tanto
E principalmente
A não confiar em nada
Que não me faça gozar

Obrigado, Piva.

Pequena flor em terra seca

Nasci mulher em dia de luar
Pequena flor em terra seca
Contradição?

Desde pequena parida, oprimida
Por ideias soberbas
Rosto marcado, unhas fincadas no trabalho
No meio do pó e no cheiro da terra

Sofrida, me ensinam a carregar o mundo sobre os ombros
Os irmãos, o pai, o marido, os filhos...
Será minha sina?
Panelas, pratos, copos... Obrigações?

E com o passar dos anos chorar calada e se fingir de forte
Roçando a terra
Depois da virgindade arrancada
Que neste fogão não aquece meus sonhos

De um casamento escolhido
Desisto... Desisto
Não servirei mais pratos
Nem covardes

Coragem... Não para ser rainha!
Pois minha única maquiagem
É a liberdade

É só pra confundir

Aquele teu beijo ainda retine em mim
Dói um pouquinho mas vou mandar enquadrar
Inocente e inconfundível na hora de roubar
Será que confundimos com amor?

Não! E quem quer saber?
Vamos viver esse samba até o sol raiar
Depois cada um vai pra casa descansar
Ou sei lá, deixa pra lá... Deixa madrugar

É nessa cadência que se vive as dores que não doem

Um gole de cada vez pra não amargar
O medo sempre vem sem avisar
Mas quem tá na correria não pode arregar

Nem tudo que é triste é ruim
Nem tudo que é doce é bom assim

Eita que agora deu nó sem querer
Oras, quem tá na chuva é pra correr

Então deixa sambar, deixa...
Que a vida é simples e a gente... Complicado
Afinal, é tanta vida na coisa da gente

Mas pode deixar!
Que aquele beijo que tu me roubou
Vou mandar enquadrar

Cada descoberta uma revolução

Nesta noite, nesta mesa de bar
Ao lado de meus amantes
Bebemos e brindamos
Pra esconder nossas limitações

Ainda assim, creio nessa energia cósmica
Quando estou com esses teimosos
Que não perdem a ingenuidade
Que fazem de cada gole uma descoberta

E de cada descoberta uma revolução
Sem nome, sem métrica
E as vezes sem direção

Afinal

Estamos construindo no caminho
Entre mortos, feridos e perdidos
Seguimos Adiante Seguimos
Viva a revolução!