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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

No risco de estar vivo

Em dias de caos preciso caminhar
Em dias de caos preciso de um guia
Para atravessar a escuridão
E gerar a força que não posso ter

É estranho dizer
Mas compreendi que existem coisas
Que não posso ser
Não só

É estranho dizer
Mas compreendi que existem coisas
Que não posso alcançar
Não só

Eu que conjulguei o verbo sempre em primeira pessoa
Eu que sorria ao receber o desespero bater em minha porta
Agora encontro-me sobre pensamentos confusos
Frágeis abrigos querendo colo

Minhas armas
Minhas dores
Meu fel
Meu mel

De nada servem
Nesta balada insana
De uma loucura que só quer afugentar

Esconder
Se esconder
Por aí, por aí...

Em qualquer lugar
De acolhida agradável
Onde a luz da manhã
Dê bom dia sem pedágio

E a gente viva o encontro dos desencontros
No risco de estar vivo

Parte de mim

Há uma parte de mim
Que sangra em silêncio
Enquanto outra estanca a dor

Não sei qual o limite de tudo isso
Mas me sinto vivo
E não irei recuar

Pra além das coisas comuns
Sou vento num mar em fúria
Seguindo meu caminho

E só seguir
E ser
Quem sou
Me basta

Sem adeus
Sem preces

Aflição

Tem algo errado com o mundoTem algo errado com a vida Dessa forma sempre vai dar merda!
Como posso acordar sem querer acordar? Como posso dormir sem querer dormir?
Minha vida é uma obrigação Nem a mim pertence
Não produzo nada que alimenta minha alma Nada útil pra ser honesto Como posso ser feliz?
Quero viver bêbado, vadio, amante dos amantes
Ao contrário disso, estou acorrentado a funções e significados sociais Que determinam quem sou
E quem eu sou?
Luto E mesmo quando luto Estou em luto
Delirando como um Dom Quixote Voltando pra casa caído de coração partido sem ninguém pra amar Porque até o amor foi destruído
Aflição Inocência Essência das coisas constituídas
Tudo congela e vira caos As plantas morrem A vida se esvai e a morte não vem Poeira estelar termina
Confesso
Diferente ou normal Apenas sei..
Que se eu rasgar meus pulsos vou sangrar e morrer Por isso, vivo em desespero de frente ao caos

Silêncio dos náufragos

Derrepente
Não há tempo, espaço, cor ou substância
Tudo é vazio
Não existe ou existiu

Silêncio
Apenas silêncio
Silêncio

Gritante
Cortante
Devorador de vidas

Partiu
Em outra direção
Partiu

Navegar novos mares
Respirar novos ares
Morrer outras mortes

Em dor, partir sem medo
Como náufrago em tempestade
Afogado em esperança

Rei dos miseráveis

Construí com punhos e suor um castelo fortificado
Onde nada, nem ninguém
Poderia ultrapassar suas muralhas

Lancei dragões e feitiços aos céus
Cuspi fogo aos quatro ventos
Aniquilei inimigos e ergui uma coroa de sangue

Nas masmorras tranquei meu calcanhar
E de cima da torre fiquei a admirar meu reino

Assim, fiz-me rei dos miseráveis

Ego meio ista

Não quero um vibrador pra esconder a solidão
Não quero um pouco de veneno pra afugentar essa aflição
Quero sexo orgânico
No mar, no ar, na terra, na luz do luar ou numa prisão

E quando todos moralistas se fuderem
Vou mergulhar de cabeça nestes delirios orgasmagóricos
E me alucinar de éter por uma vida inteira

Eu sou assim, ego meio ista, taoista, tantrista, anarquista
Sei-lá! Viajo pra além num foguete de boceta
Espalhando esperma pra me libertar

E juntos podemos foder a noite inteira até o dia recomeçar

Observatório

Essa noite um lobo veio espreitar
Olhou-me nos olhos e quis me matar
Senti seu ódio em silêncio
E por horas ficamos nos observando

Não senti medo, nem desespero
Mas algo em sua respiração me desafiava
E me propunha a dispor minha jugular

Quase hipnotizado pelo gosto de morte
Resolvi participar daquela dança
E num ritual aparentemente inocente
Resolvi libertar toda perversidade contida

Pois também era lobo
E se o sangue iria escorrer
Não seria com facilidade
Seria com guerra, seria com caos

Pois a morte não é decisão particular

Bom dia! "Dia"

Bom dia! "Dia"
Quantos leões tenho que matar hoje?
E quantos outros tenho que mandar tomar no cu,
pra seguir meu caminho na moral?

Ah! Dia que culpa tu tens afinal de ser um mensageiro do caos
Eu com os meus, te digo: não me suporto!
Mas ainda assim, você insiste em nascer
E me comunicar essa merda

Pois é
Os inuteis de plantão sentem falta de sexo
Por isso, querem gozar com o cu dos outros
To fora!

Bom dia!
Sou marte, lhe matarei

Até que ela morra...

Sempre querendo algo que não se pode ter
Chutei para longe o que queria me matar
E segui meu caminho companheiro de crimes

Não busquei abrigo, não curei feridas
Nem fui herói de mim
Tão pouco tive a pretensão de me beatificar

Aventurei-me apenas e segui por onde quis
Com minhas dores, com meus erros
E com minhas verdades de papel

Porque viver é fel, mel
Vaidade, solidão, contra mão, angústia e só...
Entre outras coisas que precisam ser vividas em cada minuto

Por isso, estanquei o sangue e expurguei o veneno
E vivo assim, respirando cada pedacinho de energia cósmica
Que me ofereça um cantinho de paz sem condenação

Até que ela morra...