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Mostrando postagens de 2012

Caminhantes

Este foi um ano difícil amigo
De muitas perdas e amarguras
Confesso que me perguntei muitas vezes;
Que caminho é este que escolhemos?

Perdido me encontrei sem respostas muitas vezes
Tentando mirar o horizonte, fiquei quase cego
Pensei em fugir, me atirar daqui, mas não tive forças nem de levantar da cama
Pois não é fácil equilibrar esperança quando o mundo desaba

Quando o mundo mata
Quando tantas mães e pais choram
Quando tanta gente morre

Por terra 
Por teto
Por comida
Por trabalho

Amigo
Me sinto pequeno diante de tudo isso, sem forças
Sinto vontade de me esconder
Dormir e não acordar, entende?

Ontem recebi uma noticia de morte (assassinato) de alguém próximo a mim
Que peguei no colo, brinquei, toquei bateria junto
Se foi... Assim;
Como se fosse nada... Com apenas 20 anos

Dói pra caralho
Nos faz pensar tanta merda
Rever conceitos e teorias
...

Tá difícil amigo 
Tá difícil pra caralho mesmo!
Sufoco de torturar
Este ano foi um inferno tu sabe

Acho que senão fosse tua acolhida, teu apoio e
teu companheirismo nos momen…

De úlcera, de cansaço ou de luzes de natal

Nesta época do ano as casas, as ruas da cidade
e todo o concreto armado são enfeitados de luzes natalinas
Simbolizando a beleza e a certeza da profunda humanidade humana
Que esbanja energia num mundo com sérios problemas ambientais

(para não dizer os sociais)

Andando pela cidade vejo as dentaduras de natal corroerem
minha retina. Pernis e aves gritam esquartejadas num banquete farto
Onde o sangue que escorreu nos abatedouros,
servirá de simbolo confraternal para a noite feliz

Regados a champanhe, cerveja e vinho barato
Ceamos nós miseráveis que gastamos nossos últimos tostões
Para ritualizar a passagem, "da merda a merda"
E há quem queira espiritualizar isso

Enquanto na mesma noite feliz, gente na rua se prostitui e implora por trocados que lhe garantam mais um dia de sobrevivência neste mundo animal, enquanto a igreja podre
há séculos toca seus sinos de opressão e invoca seu sermão canalha
Sem contar todas as outras desgraças que se entulham nessa mesma noite

Assumo:  Com todos os vermes e…

Confusão

Por enquanto,
só o silêncio amarrado em meu peito quero por perto
Tanta confusão e tanto desespero
varreram minha morada

Não sei se sinto ódio de mim,
ou se deixo tudo para trás
No momento,
este tudo que me deixou sem nada me dói
quando realmente eu nunca quis nada
Porém, me sinto agora um nada e não é justo!

Foram os dias e as noites em nada
assim, humilhado... E de nada vale
e ninguém entende, me sinto vazio

Se foram as ideias e as utopias
Um preço caro, ousado e sem graça
Não vale um cu, nenhum propósito
Mas estou cansado de apanhar

Vencido
Confesso que perdi todos os meus sonhos
e todas as minhas ilusões

Fracassei até aqui
Tenho que admitir sem medo de culpa
Assim, seguir com as forças que me sobram
e ajeitar o entulho que virou minha vida

Pra que se lembrar de um nome?

Quando a chupada é boa para que se lembrar de um nome?
De um rosto, de uma ideia, de um conceito estampado na cama
problematizando o universo, enquanto, tudo que se quer é gozar!

E gozar alimenta a alma e liberta os demônios 
Ah! Vem de noite e me possui, me domina, me bate que sou teu 

Liberta-me! Vem sem dono e sem amarras
Me ponha em correntes e me surre de quatro
Quero ser escravizado pela sua violência sexual
Alcançar  mil orgasmos de liberdade e morrer em teus braços

Depois sem culpa e sem remorso
Morrer também em outros braços
Acordar em outras camas
Experimentar outros corpos

Curtir todo o fel,  todo o mel e toda merda, orgasmo, saliva, suor e porra que a vida tiver a oferecer

Así que buscar la libertad

Tengo el pelo largo
y muchas preguntas en mi cabeza
No tengo ninguna certeza de nada
sólo cabe duda

No tengo verdades
Sólo soy un soñador
Soñando todo el día
Para los días de paz

Sin látigos
Sin mazmorras
Sin traiciones

Tengo el pelo  largo
sólo cabe duda
Así que buscar la libertad

Simulacros

Eu não quero obter mais informações Meus cabelos estão brancos e cansados de tantas atualizações Conheci um principio básico de viver e estou tentando me caber nele Me basta essa ferrugem analógica social
Não sou e nem quero muito nesta briga de espelhos Doravante: ficarei calado, olhando os abutres tecnológicos absorverem tudo Pois, sei que virão um dia em meu encalço, impiedosamente E nada poderei fazer, mas, enquanto isso, vou rir do destino e das velhas armadilhas baratas e embaladas de ilusões confortáveis que a maioria das pessoas compram para mascarar a miséria social que produziram
Na verdade, eu não sou nada As dicotomias sociais me fizeram deste modo De zero a um me fizeram um zero a esquerda  Ou do zero ao zero, não me importo O lixo que me empurram quase sempre transformo em adubo  e faço germinar ideias, minha colheita é imperceptível
Morrerei assim:
Sem abrigo Sem teletransporte Sem USB Sem aplicativo Sem hiper texto Sem decodificações Sem exposições imagéticas em rede Sem reinicialização d…

Todo tiempo

Podría darme un pequeño rincón de paz en ti?
Calma mi pecho, entiendo que no soy perfecto, ni ació
Podría darme su mano y camina conmigo
para buscar la libertad?

Confieso que no soy suficiente para encontrar el amor solo
Y todo lo que viene a mis ojos es tan triste
Así que muchos abandonos y pérdidas.
Me siento ciego. Necesitado

Todo tiempo

Podría caminar conmigo? porque
Veo en ti la fuerza que necesito
Creo que sólo usted me puede mostrar lo que no puedo ver
Te quiero mujer con el pelo rojo

Dueña de mi cabeza
Te quiero

Este lugar sin detenciones

Tengo la impresión de que
Yo no pertenezco a este lugar
Tengo la impresión de que
Yo no soy parte de algunos

Fronteras que me están impidiendo?
Para vivir ...

Busco,
estoy tratando de encontrar mi lugar,
mi camino, en todas las partes

Dentro de mí, ustedes, en otros cuerpos,
en el que las ideas se pierden en otras ideas
Sólo

Me siento tan pequeño
Quiero magia, mística,
el encanto de encotro con energías

Quiero vivir otro día sin detenciones

Quiero ser libre en este lugar
Todos aspiram
Y todo lo que sabemos tan poco acerca de este lugar es
Tan poco

Y asi las "traças" del mundo
Que absorvem y  que abandonam
Que matam

Para detener el tiempo
Que  quiero vivir
Quiero amar sin cadenas
Y ser amado cada segundo sin ilusiones

Essas pessoas revolucionárias...

Quem é essa pessoa revolucionária?
Rebelde das pontas dos pés até o último fio de cabelo
Que tudo confronta, tudo enfrenta, arruína,
cria anarquia, caos e confunde pensamentos

Quem é essa pessoa? Essa maldita pessoa
Que não aceita um dedo na cara,  um teco de subordinação
Não aceita ser propriedade ou coisificada, quem é essa pessoa?
Que não para quieta e morde os calcanhares de todas as doutrinas

Qual sua intenção ideológica? Forma de pensar?
Subversão, praga, abismo, inferno, loucura
Quem é essa pessoa? Quem? Quem? Quem?

Somos todos nós!
Livres, loucos. lindos, atrevidos e vorazes
E nem mais um dia de sujeição!
E nem mais um dia de silêncio amargo travado na garganta

Chega de camisa de mortalha

O fantasma que nos mata

Não somos iguais, (e não temos culpa)
Somos diferentes numa busca por pontos comuns É justa essa busca! Porém, inevitavelmente  os pontos se chocam, queimam!
E tudo vira cinza... Os dias, as ideias, as relações... E tudo se confunde, tudo vira do avesso Não há certo no incerto 
Só medo da solidão, do vazio que devora Quando as contas chegam Quando a vida real explode Mas, até isso, faz parte do fantasma que nos mata

Tempestade

Não é fácil não ter amor... Viver sem futuro
Abandonado ao relento... Em excesso de palavras
Em tempestade constante

Queria retirar minha armadura, deixar está guerra
Ser eu, sentir dor. Não fingir ser de aço!
Poder chorar muito, o tempo inteiro
Sem medo ou ressentimentos

Poder encontrar um ponto de convergência entres pontos e vírgulas,
até pouco se importar com as ideologias, as mentiras e os pesadelos
Afinal, para que servem merdas?
Somente para isolar e assassinar

Que me chamem de covarde o quanto quiserem
Eu sei de onde vim e porque estou aqui

Anacrônico
Sou pássaro sem repouso
De asas quebradas resistindo aos ventos que querem me matar

O que me mata também me mantém vivo

Eu não consigo ter um motivo para me alegrar Confesso que tento, construo, improviso, até finjo Mas diante da realidade que explode Não há um único motivo para sorrir

Tudo vira merda
Tudo vira perda, 
abandono, desprezo, ideologia, alienação e ódio

Não fui convidado para esta guerra, não a criei, nem muito menos ela me fascina
Nasci dentro dela, esmagado, revirado, amaldiçoado, escravizado, acorrentado
Determinado em cada passo, em cada respiro, em cada prato, teto e carinho

Me explica então? Qual o caminho? O que tenho que fazer para não  parecer um louco,
um autoritário, intelectual de merda, ou sei lá qual rótulo mais... 
Porque ser condenado quando tudo que tenho 
são arames farpados cercando minha existência servil

É perverso...

Eu sei o que senti, vivi, vivo e vejo explodir Por isso não sonho, não durmo, não aspiro, não projeto Não é fácil estar em pé... Integralmente
A maioria precisa fingir, se isolar... Cultivar mentiras

Para mim lutar não se trata de devolver o açoite
Mas encontrar uma folga n…

Eu no atacado das carniças

Expuseram-me num balcão 
Colocaram-me um preço
Esbofetearam minha existência

Fatiaram minhas ideias
Venderam meu sonhos
Trucidaram minhas utopias

Lançado no mercado do consumo
No atacado da estúpidez
Virei carniça

Sirvam -se de mim
E morram de indigestão
Até cagarem sangue

Não há respostas

Sou do tempo em que todo esse bairro era feito de lama
As casas, as ruas, as pessoas e os sonhos
Lama de madeira, lama de concreto, lama que endurecia vidas
E as faziam suportar todos os desesperos impostos

Poucas escolas, poucas praças, poucas esperanças...

Enquanto crescia, acostumei a ver o que não devia se ver
Aprendi o que não devia se aprender... Antes do tempo
Se é que existe um tempo para entender sobre a morte,

a dor, o sofrimento, o abandono... Um corpo esquecido na vala
O pastor gritando glória e a chuva de bala na madrugada

A vida às vezes parece tão perversa
Os becos, as quebradas vão se naturalizando em nossas entranhas
Tornando-se partes de nossas vidas
Criando insistentemente sistemas de defesa que nunca nos abandonarão

Será? Ou é só o perpetuamento de uma guerra?
Mas não importa... Afinal, quem viveu sabe da merda que sentiu na pele
Sabe de tudo que perdeu ou que nem a chance teve de conquistar

Quantos velórios já rolaram de lá para cá?
Quantos choros e lamentos tivemos que superar?

As…

Teu abrigo

Você és parte de mim?
Ou uma extensão de como devo ser?
Eu te orientarei, ou serei o orientado?

Quem dera
Quem dera eu ser algo para ti

Cheio de defeitos e de medos perpétuos
Tu vens em tempos de tempestades
Me renovando com esperanças que pensei ter perdido
Por isso, admito coragem e um pouco de insensatez

Confesso sem dúvidas

Te amo para além de mim,
mesmo quando não te quero
Mesmo quando sei que tu vais partir,
e podes nem me querer por perto

Serei teu abrigo até que me mate e encontre tua liberdade

Cansado

Hoje
Estou cansado, muito cansado
Dos discursos, das práticas e das sabotagens

Hoje
Não tem ação direta, não tem discussões
Não tem filosofia ou teoria para intelectuais se gabar

Hoje
Repouso em mim, hiberno e pago meu aluguel
Esperando a próxima traição, o próximo ato de uma vida miserável

De estar em paz

Com esperança eu miro o horizonte
Acreditando que os sonhos irão crescer 
e as dores se tornaram mais suportáveis
neste caminho de perdas e abandonos

Com esperança às vezes eu me distancio de mim
Me perco, me machuco e sem saber a medida de minhas entregas
Corro de volta para minha concha protetora
Sou um tanto solitário, sei...

Mas, com esperança eu luto as guerras impostas
e aquelas que criei... Não preocupado, não aflito
Nem de estar livre, nem de estar aprisionado 
Somente

De estar em paz

Mirando esses olhos lindos de desconfiança
Que renova a vida e me faz acreditar
Que algo de mim se perpetuará para além de meu tempo
Para além de meus medos e segredos

Miséria e demônios eletrônicos

Tantas ilusões no atacado das mentiras
Só vejo zumbitização da vida. Estamos a venda? 
Expostos num balcão igual carne de abate
Igual carne ferida de quem perdeu a vida

Onde está a ácracia?

Crer num cargo, num diploma Numa carreira, numa casa na praia Num blogg, numa estúpida ideia para defender
Tudo tão insignificante e massificante
Velhas construções cíclicas de poder Todas feitas para oprimir e subjugar
Perversão e controle
Morte e desespero Um mundo afundado em pragmatismos
Valores autoritários e superficiais Não dá nem para gozar sem ser classificado Hétero ou não hétero, liberto ou não liberto, promiscuo ou não promiscuo
Todos subordinados, todos re-identificados Soldadinhos de chumbo marchando para a morte
Conectados a rede da morte cyberespacial
Quão triste tornou-se a vida dentro dessa caixa Quão triste...
Quadrado de ideias que rotulam para desqualificar, assassinar e escravizar
Não há atrevimento Não há questionamento Não há nada...

Só miséria e demônios a matar
E assim, Morremos e morrem 

Todos o…

Vida imprestável

Vida imprestável 
Tão insustentável que dói
Escorre dos dedos e nos desnuda sem piedade

Perversa e implacável
Quem assume suas rédeas?
Quem elabora suas mazelas e separa o trigo a quem não merece?

Será que devemos chorar?
Ou só nos amaldiçoarmos por todos os açoites impostos?

Vida imprestável
Não há nada que recebamos de bom grado
Tudo cobra e retira

Puta
Sádica
Paranoica
Tudo que toca apodrece ou é escravizado

Quem te comanda e não deixa florescer a justiça?

Não quero ser teu servo
Não aceitarei teus desígnios morais que maculam os livres

Não há glória em teu seio
Só a ruína e a desgraça espreita
Calculista cheira a cemitério

Eu me despeço de ti imprestável
Pois, meu coração ninguém irá governar
E minha integridade assim viverá, sem dias bárbaros chamados de heróicos

Calvário

Qual será o dever social deste nobre homem?
Viver servindo ao Estado
e as mentiras institucionalizadas?

Qual será o dever social deste pobre homem
Ser apenas uma ferramenta de engrenagem
que nunca descansa ou se liberta?

Disseram que haveria avanço
Disseram que haveria progresso

Pra quem?

Se tudo retiram deste homem
Se tudo impõem a este homem

Porca, parafuso, martelo, torno, gravata, teclado, agenda, celular, e-mail...

E os anos que se passam 
E a vida que se arrasta 
E os sonhos que se calam
Lentamente... Nada explica ou justifica a existência esmagada

Assim

Tudo se esvai na função social que se deve cumprir
Tudo se perde nas horas marcadas de um dia determinado
E tudo acaba!  Na saudade, na dor, nos calos e na solidão dos dias

Sem sentido
Sem essência
Sem respostas

Um eterno calvário

Inconstância

Essa febre que não passa
Essa dor que não alivia
Há anos eu morro todos os dias

Explosão
Querendo solidificar

Sinto medo
Confesso
Sinto medo
Tristeza e fragilidade
Cansaço e tédio 

Eu sei
Há partes de mim em lugares onde eu nunca fui
Há partes de mim dentro de pessoas que eu nunca conheci

Mas, sinto medo... Tanto
Da rotina que consome, 
dos dias sempre iguais, 
dos sonhos que não verei florescer

Quem sabe... Uma canção me liberte
Uma dança silenciosa
Ou uma poesia cinza ao menos,
embriague minha inconstância de viver

Não sei...
Recuo para dentro de mim
Não quero respostas nem duelos
Apenas, renovar a vida em tempos de desespero

E eu

Corro feito louco
Atrás de um tempo que não alcanço

Minhas pernas
Meu corpo
Minhas ideias
Minha alma

Tudo se cansa
Tudo se esvai
Tudo se perde
Na poeira destes dias

Cinzas

E eu
continuo me perguntando:
Por que percorrer essa estrada?
Não quero vencer nada
Não quero ter que competir com ninguém

Mas atirado no meio de uma guerra sem juízo
Sem água, sem abrigo
Com armas de fogo
Sinto-me queimar de solidão

Sinto na verdade o abandono
como a única coisa precisa e verdadeira

E eu
também abandono
Porque eu também sou abandono

Terra árida

Tenho cuidado de vasos, cultivado plantas Quase sempre preparado a terra, com insumos e velhos truques de esperança
Tenho acordado cedo, mirado o horizonte Com poucas ilusões, com poucas utopias Mas com alguma fé no dia a dia
Tenho sido um agricultor simples... Somente Resistente as tempestades, os abandonos, as pestes e as intemperanças da vida
Sem muito a oferecer, sem muito a dizer Tenho apenas tentado viver  sem reproduzir minha prisão, minha solidão

Meu mundo programado

Estuda, trabalha
Se esforça
Faz um curso, passa
Se forma


Acorda, levanta
Se ajeita
Escuta, se adapta
Disputa


Minta, segregue
Exclua, passe por cima
Vença


Não sinta, não chore
Não grite, não se acomode


Seja forte, de aço
Frio, calculista
Macho

Pergunto:

Onde no meio de tudo isso a gente tem tempo para ser feliz?
Onde no meio de tudo isso a gente consegue ser a gente?


Eu não sei

Na trincheira

Andar sobre essa guerra sempre me assustou
Tento encontrar abrigo, mas em meu íntimo percebo
Que lutar é o único caminho que me resta
E não há nada que me faça pensar ao contrário


Diante de tanta opressão, de tanta moralidade
De tanto aprisionamento da vida
Sinto-me embriagado de indignação  
Inconformado e brutalmente tomado de ódio 


Não acredito num mundo pragmático
Não acredito na mentira institucionalizada
Não acredito em verdades morais
Não acredito em nada contrário a liberdade


Renego todas as formas de dominação
Renego todas as formas de opressão


Cuspo no proselitismo
Cuspo no fanatismo
Cuspo nas normas institucionais 
Cuspo em tudo que quer determinar e subjugar a vida

Pois, mesmo cansado desta mortalha
Não aceitarei morte imposta 
Não aceitarei que assassinem minha consciência


E neste caminho,
sei que a morte espreita
Mas morrerei na luta, não na derrocada!
Na trincheira, junto com meus irmãos e minhas irmãs de luta

Qual o sentido da vida?

Quando tu me pergunta:
Qual o sentido da vida? Pensando que o futuro é triste
Isso me machuca na alma
Me atira num inferno de desesperança insuportável


Tento tecer uma resposta que te livre das dores da vida
Mas começo a perceber
Que é tempo de te revelar que a vida aí fora
É cheia de pesadelos


Precisamos ser fortes o tempo todo
Porque o vazio é um mal de nosso tempo
Que mesmo quando enfrentamos demônios e vencemos
Outros surgem bem piores


Te peço calma
Te peço confiança


Que nesta tempestade sem fim, mesmo longe
Estou contigo, brigando muito
Pois, minha vida não vale nada sem você
Pequeno filho

Frenesi

Acho o mundo pequeno para mim Mas juro que perto de ti estou cabendo nele Façamos um trato de manhã e outro de tarde
Depois, vem de noite e me acolhe por entre teus cabelos Juro abrigo e um pouco de desespero
Mas antes do amanhecer
Me deixa ir embora, viver minhas paixões,
minhas vaidades... Fugir dos medos e das aflições

É tudo tão breve e sou tão confuso
Que seja então, um amor insinuante em cada gole


Um libertar em cada beijo  Um frenesi de loucuras e de desejos
Para que assim, vivamos livres em cada segundo

Liberdade estéril

Desde muito cedo tentei entender o segredo da vida
O sentido de minha existência
Confesso que me encontrei rapidamente
E investi forças naquilo que me fazia feliz


No entanto, fui percebendo os embargos 
Impostos cruelmente por uma sociedade pragmática
Que valoriza o imediato, a praticidade e o externo


Jovem imaturo, atirado num inferno de opressão
Cai em desespero e morri mil mortes
Tentando entender minhas convicções
Sangrei, por anos sangrei.


Até entender os códigos
Até entender que as condições materiais podem determinar a vida
Mas que a luta por nossa identidade e por nossa subjetividade
É uma constante de práticas que podem vencer o trator da ignorância


Sendo assim, minhas escolhas também determinam minha vida
Porém, a busca por liberdade é construída coletivamente
É no outro que me reconheço e me liberto
Ao contrário disso, é liberdade estéril

Partícula no infinito do universo

Para dizer a verdade
Eu não tenho verdades
Não sou crente em nada
Em nada sinto vontade de acreditar


Minúscula partícula no infinito do universo
Centrífugo-me apenas com minhas dúvidas
Que alimentam buscas
Livres e desprendidas de suposições 


Recuso um papel social inútil
Recuso valores sociais falsos e ridículos
Recuso todas as regras, todas as leis e todas as  formas de subordinação 


Para além de convicções
Sou energia que flui pelo mundo
Átomo
Parte constituinte de tudo que existe e que nunca termina


Chega de ter a liberdade machucada
Pelo veneno da verdade
Da moral
Do estabelecido


É tempo de erguer-se para além de um quadrado de ideias

Guardar em mim

Queria poder te guardar em mim e curar suas dores
Preencher teu vazio e costurar todas as suas feridas
Quem sabe tecer outra história, inventar outra maneira de viver
Que nela não caiba nenhuma angústia e nenhuma vibração de desespero


Escovaria teus cabelos para afastar teus medos 
Beijaria teus lábios para te fazer dormir
Contaria mil segredos para te proteger do frio
Trancaria todos os teus demônios em infernos distantes


Queria poder ao menos te acalmar... Te dizer que a vida é bela e não machuca
Enfeitada de caramelos, de chocolates e de jujubas que caem em gotas de orvalho
E realmente foi descoberto que as nuvens são de algodão  
e bem lá no fundo nossas fragilidades são de mentirinha


Peço desculpas, não é nada disso...
E minha miséria só tem amor em poesia para te oferecer
Às vezes sem o menor sentido,
ou simplesmente de nada vale diante do caos


Mas, quero que saiba o quanto estou contigo
Perto, ao lado, de mãos dadas, te respeitando sempre
Caminhando sobre todas as incompreensões e 
desafios que e…

Para além das sujeições

Tanta aflição 
Tanto desespero
De onde vem toda essa insatisfação?


Sou alguém perdido sem minhas ideias
Sou alguém perdido sem minhas aspirações


E para onde vou?
Senão caminhar em busca de outros abrigos
Senão caminhar em buscas de outras contenções
Entrincheirar-me de sonhos e desejos


Há dor e angústia em tudo
Condicionamentos sociais 
Controle, dominação, intolerância
Absolutismos da esquerda para a direita


Vazio


Mas nunca desisto 
Nunca deixo de acreditar
Mesmo quando estou aos trapos


A paixão que me move também me socorre
Em dias de frio
Em dias de morte
Nos lábios e nos braços do amor que não tem dono


E quando chegar minha hora, quero ter a certeza
Que não perdi minha identidade
Não troquei intuição por razão
Religiosidade por ciência


Lutei minhas batalhas
Vivi minha guerra


Como um guerrilheiro 
Consciente, que ser fuzilado
Não é perder
É viver para além das sujeições

Liberdade rotulada

Não me feche num quadrado de ideias
O espaço é pouco para minhas vertigens
Oras, não sou uma coisa para ser classificável
Por isso, não me desmoralize com os teus conceitos de vida


Sei que precisa disso para mentir para si mesmo
Legitimar tua desgraça
Teu vazio
Teu fanatismo


Colocar a pica na mesa, servir  intelectuais em bandejas
Gente que sistematizou a sabedoria popular e a colocou numa gaiola
Nomeando a de "conhecimento"
É muito violento e tenho asco disso


Te falo: não sou altruísta, leninista, marxista, anarquista, puta que pariu ista
Não ponho ideias para brigar 
Afinal, só tenho ideias

Não verdades


Desculpe, mas não vejo amplitude na tua liberdade rotulada
Qual é o nome disso?
Só vejo um ciclo de valores ridículos


Não viverei assim, matando o pai e se tornando outro
Mais um ismo definindo a conduta moral de uma geração
Quanta objetivação da vida


O que sei apenas é que sou parte constituinte de algo para além de significações

Deixei um câncer crescer em mim
Por pura estupidez 
O subjuguei


Instalou-se


Se tornou tão nocivo que confesso sentir medo
Há um preço em dor... E solidão


Carrasco


Mas de qualquer forma terei que arrancá-lo
A força


Pois sua violência está me matando
Estou morrendo

Prisioneiro de mim

Acalentei minhas dores
Escondi minhas fraquezas
Caminhei por manhãs cinzentas
Chorei sem lágrimas


Secamente vivi me perdendo por aí
Em desespero, em luxúria por qualquer canto, beco ou viela
Ao lado de uma ressaca sem fim
Pensei que morreria 


Prisioneiro de mim
De minhas loucuras
De meus medos 
De minhas negações


Fugi por inteiro, confesso...


Mas a vida em seus redemoinhos
Resolveu me surrar 
Rindo de tal tragédia
Ergui-me do inferno e me salvei por entre teus cabelos


Assim, atirei-me mais uma vez 
Para dentro da estrada que escolhi

(assim, livre e satisfeito)

Quem sou eu no meio deste caos cósmico?
Procurando respostas que nunca irão me convencer
Sou puro instinto assassino de qualquer construção que paralise a vida
Confesso, que me dói em ausência muitas coisas


(inclusive a minha)


Mas se tiver que morrer hoje, de nada me arrependo
Lutei minhas lutas e encarei meu inferno cuspindo lixo nos hipócritas


(feliz, sim!)


Vivi e viverei da forma como quero (pagando preços infernais, reconheço)
Mas, consciente e combativo até o osso! Sinceramente, nada quero deixar,
além de minhas loucuras e uma faca bem afiada para rasgar e mutilar canalhas


(assim, livre e satisfeito)

Entre músculos e movimentos

Na contra mão das construções sociais Vivo com o que penso  e de acordo com o que me faz bem
Insinuante, admito em vaidade que meu espirito voa longe o tempo todo Só ama o que é vadio e sem governo... Libertino... Não aceito regras
Por isso, quando tu vem e me  toca com tuas mãos Teço fantasias com teu corpo junto ao meu e regojizo 
Um pouco calado Um pouco desesperado Inebriado pelo súbito querer proibido... Selvagem
Desejos... Liberdade... Paixão... 
Sufocados torturam

Mas tu me liberta e me aprisiona
Numa feroz penetração de olhos nos olhos Entregue a ti, faleço em teus braços  Assim, transcendo entre músculos e movimentos.

Lubrificar

Que me critiquem os revolucionários de textos
Mas a vida sem uma gota de tesão não serve para nada
E depois de tantas loucuras que vivi
Só vou para cama com quem possa me seduzir libertinamente no corpo e na alma


Isso, é claro, depois de um bom sexo oral e uma cerveja barata para lubrificar

Fragmentos

Habitam em mim tantas outras vidas 
Partes antagônicas, convexas, dicotômicas, similares...


De tempos em tempos
Algumas partes não refletem quem eu sou 
Outras se perdem ou não se encaixam mais


Percebo que sou constituído por tantas partes diferentes
Neste rol que vamos assumindo na vida 


Penso na unidade do que sou
Em composição contínua


Algumas partes me alegram, outras querem minha morte 
Algumas são tão ingênuas, outras me assustam
Ainda assim, partes do que sou  


Queria poder sustentar algum ponto de fuga
Traçar uma linha no horizonte
Alegrar-me com as pessoas que passam apressadas
E demarcar meu espaço temporal


Mas entendo que sou constituinte do acaso
Não posso domar o destino
Nem controlar a vida


Percebi com o passar dos anos
Que a parte que me cabe
É aquela que não recuso ser, ou oferecer

Árvores secas

Em dias cinzentos de caos
Queria saber por onde caminhar 


A realidade humana construída
Tudo nos tira, tudo nos usurpa,
dos sapatos ao último fio de cabelo


Tento olhar ao redor e sentir novas energias, pensar novas ideias, 
quem sabe, experimentar um grão de liberdade ou de companheirismo
Mas, tudo que percebo é quão miserável tornou-se nossa condição humana


Que força é essa que não se equilibra? Arquitetura do controle
Tudo está monitorado e nada mais nos pertence
Nada mais nos diz respeito ou representa


Refugio-me em minhas abstrações, porque sinceramente,
não sei o quanto vale a vida dentro dessas significações

Contudo, sofro todos os dias por sonhar  e viver pelo avesso
Descobrindo em cada momento, que não há bifurcação nessa estrada idealista
Escolhas são ilusões e a impressão é que todos os sentidos satisfatórios foram roubados,
ou nunca existiram de fato


Confesso, sinto-me selvagem diante da vida, de pouca fé, de pouca esperança
As vezes penso que viver encavernado seria menos brutal, 
pois tudo…

Bem-vindos, pois a morte é certa!

Quem somos? Para onde vamos?
O que é a vida? Quantos já se perguntaram?
E sabe-se lá de que forma se resolveram


Individualmente?
Coletivamente?


Eu não sei! E cheio de ódio só posso perguntar
O que é esse sistema econômico que nos despreza?
Nos tranca em calabouços e se apodera


De nosso suor, de nossas mentes, de nossos filhos, de nossos pais, de nossos amigos, de nossas alegrias... Maldito sombrio espectro da desgraça!
Exclui, mata e devasta! Não é realidade abstrata
Pra além, é covarde e canalha


Aqui estamos nesta bifurcação mortal
De um lado o caos
De outro, utopia


Queria apenas viver e me matam todos os dias
Empurram-me um papel social vazio
Com uma função inútil 
Que não condiz com meus sonhos


E o que sonho? E o que sonhamos? 
Nada sonho...  Apenas triturado, esmagado, chicoteado pelo Estado de coisas... Perverso, que se naturaliza e joga ser contra ser criando zumbis alienados, indiferentes, robotizados, conectados ao vazio cibernético da pós-modernidade


Bem-vindos, pois a morte é certa!
Senão juntar…

Nesta migalha de vida

Estou faminto de ti e tem sido difícil te ter
Te busco desde sempre e pouco te encontro
Perdão! Estou sendo esmagado
Sinto medo de fraquejar 


Na verdade, tiram tudo de mim por tua causa
Mundo de castas, dogmas e regras miseráveis
Eles te deploram, te cospem, te enojam...
Ignorantes, nada veem além de seus umbigos


Resisto, sigo... Na luta! Na busca por teu encontro sempre
Consciente, mesmo que não te encontre nesta migalha de vida
Sei que nossas almas se encontraram um dia
E no recôndito do infinito descansaremos em paz


Querida liberdade.

O véu das mortalhas!

Uma vez dormia
Entre a morte e o tempo traiçoeiro
Sonhava gozos supremos e me lambuzava


Foi assim.... De madrugada, quando uma borboleta me veio em silêncio
Num pouso senti suas dores junto as minhas... Aceitei a volúpia que me envolvia,
confesso, cai de joelhos e me abri em versos para o eterno segundo


Sabia, apenas sabia
Que havia de ser decretado feriado a partir daquele instante
E como nada me cobrava, deixei penetrar por entre as coxas
aquele amor puro, libertino, amaldiçoado, desesperado... O véu das mortalhas!


Transfigurado me trancei nele com medo de feri-lo
Mas em pouso suave ela lavou-me o rosto, enxugou-me as feridas e
me fez olhar sua alva que incandescia
Liberto. Feito menino, morri...  Vacilante... Na cópula de uma borboletinha

Erva daninha

Há correntes em tudo que vejo
Muros, concretos, governos
paredes de ilusão... 


Miopia?

Infrinjo um golpe no escuro por cortejar a liberdade  
E teço minhas ironias ao vento
Confrontando a cegueira deliberada


Assim, 
planto venenos e espalho morte
Bem sucedido em horas incertas
Absorvendo caos para disfarçar


Desde sempre  ou quase,
erva daninha

A rua é lugar de luta!

A rua é lugar de luta
A rua é lugar de aglutinação
A rua é lugar de pensamentos
A rua é lugar de mobilização


A rua é lugar de encontrar os trutas
A rua é lugar de fazer as correrias
A rua é lugar de produção
A rua é lugar de circulação


É na rua que a gente se conhece
É na rua que a gente se fortalece
É na rua que a gente ocupa
É na rua que a gente transforma


Na rua sempre tem um mano
Na rua sempre tem uma mina
Na rua sempre tem uma opção
Na rua sempre tem uma direção


Por isso está decretado!


Lugar de poesia é na rua
Lugar de música é na rua
Lugar de teatro é na rua
Lugar de dança é na rua


Lugar de comunicação popular é na rua
Lugar de prática libertária é na rua


Junto com o povo
Produzindo ideias, produzindo arte, produzindo solidariedade
e construindo de baixo para cima o poder popular


Agora mano se tu não fecha comigo
Parafraseando te falo: você é meu inimigo!

Morte aos abatedores!

Por qualquer lugar que a gente se mova
Há uma corrente, uma mordaça, uma mortalha,
uma mentira, uma doutrina, uma legislação
Uma sujeição, uma instituição, uma espoliação...

Por qualquer lugar que a gente ande. Há um canalha!
Querendo julgar, escravizar, rotular,
domesticar, regulamentar, matar,
explorar, controlar, colonizar...

Nossas mentes, nossas vidas, 
nossas ideias, nossos sonhos...

Somos as mãos que constroem esse mundo
Com sangue, suor e calos
Por isso, nossas cabeças estão a prêmio

Açoitados pelo Estado
Somos o gado preparados para o abate
Sentenciados desde o nascimento
Marcados pela força da opressão

Basta! Não mais viver sem direitos
Não mais viver sem liberdade

Maldita seja a lei!

Onde há lei
Existe algo errado
A lei destrói nossa essência (natureza)

Submete nossos pensamentos a uniformidade
Exclui nossas vontades
E mata nossas esperanças

Maldita seja a lei!
Malditos sejam todos que a criam
Cínicos de merda

Não há bem comum sobre lei
Só a legitimação da propriedade privada
E o acorrentamento da vida em liberdade

Tonalidades

A geografia da cidade
é como um sentimento que se perde,
quando não se conhece o caminho de volta

Fica trancado em verve
Até que um dia inesperadamente
Reinicia-se na amargura de um beijo calado

Vida e guerra se misturam em tonalidades difusas

Para além das flores

As vezes,
a tristeza não cabe num verso.
Quando isso acontece, não tem poesia e
nem remédio para dor... Tempo de recomeçar.

Desejo vil ao avesso

Arde em mim essa insatisfação
Incontrolável
Cruel
Mortalha


Se procuro respostas, tão logo partem


Desejo vil ao avesso
Reveste-me em dores
Abismos de solidão afiados


Não temo


Nada penso, além do que sinto
E nada sinto aquém do necessário
Qual posso isolar, afastar e macular


Queria somente
Repousar em liberdade
Deixar passar essas doenças que infectam


Quem sabe até
Renascer num inferno barato
Enquanto a alva da manhã
Queima meus olhos no horizonte


Mas o estigma traçou minha sina
E longe das bifurcações da vida
Não pretendo assumir um papel social,
qual não condiz com minha esperanças


Sendo assim, aqui eu mato os significados
Todos eles!
Em nome do que sou
Em nome da liberdade


Para sempre, condenado.

Temporal

Brisa cortante que vem do mar
Tem gosto amargo como seus cabelos
Saudade e ansiedade se confundem
Um passo para a eternidade


Naturalmente
Há um inverno em mim
Tempo de hibernar
Angariar forças e traçar rumos


Sentir o silêncio
Ouvir canções antepassadas
E dançar o futuro


Reconstruir o novo
Revigorar a vida
Se tornar rocha em vendavais
E sobreviver as estações tempestuosas

Lascivamente

Condenado
Intrinsecamente condenado
Pelo nó de teus lábios
Pelo desejo que ferve em calabouços


Lascivamente te quis


Oh! Lâmina feita de carne, rasgou-me
Igual brisa triste que sopra do mar


Lâmina de abutre, arrancou minhas tripas,
feriu meus pulsos e bebeu meu sangue


Envolto, te ofereci meu corpo ainda quente


Mas não era a morte uma oferenda
e nem um rito de renovação
Era apenas um passo para o infinito


A quem se permite viver sem flores
E se perder sem mágoas num copo de embriaguez


Assim morrem os sonhos
Todos morrem


Condenados ao delírio febril de amar

Carta aos Rinocerontes

Ah! Como eu gostaria de perguntar: conhecem a liberdade de fato? Rinocerontes
Porque discordo de vossas teorias geniais
Que ao meu ver, entediantes...


Um encontro bastaria para tirarmos nossas dúvidas
Mas como a comunicação na era da informação se tornou míope
e pouco exercida organicamente
Talvez, os encontrem por aí no click de um mouse


Pois bem, adianto o tema e o coloco entre aspas
Como símbolo do encaixotamento, engaiolamento ou como preferir, seguimos:


"Exemplificação da vida"


Desculpe o cinismo barato de boteco, mas ignorar não posso
Oras, não dá para colocar numa caixinha algo tão complexo
É coisa de quem não conhece a si mesmo


De quem se limita e tristemente da mesma forma que é,
será, novamente guiado feito gado, só que desta vez,
pelas distantes colinas da liberdade que foram tecidas


Quem foi consultado? Liberdade é um conceito selvagem
E de jugular para jugular, o que alimenta as feras?


Digo: esqueça! Caminhei muito, conheci o amor e transei muitas loucuras
Para descobrir que não…