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Mostrando postagens de Novembro, 2011

Prelúdio de morte

O fim é prelúdio de morte E a morte não tem cor nem sabor Por isso dói e rasga Por isso, Abraça a vida em seu manto de medo E transa com ela
Porque morrer é nascer E nascemos pra morrer Ciclo sem fim de abandono e desgraça
Acostuma-se logo a essa praga Acostuma-se logo a essa merda
Porque tudo vai dar merda!
Viva a merda!
Transa com essa merda Goza com essa merda Fode essa merda, porra!

Essas rosas

Essas rosas são para mim Claro que senti medo Essas rosas são para ti Claro que sentirás medo
Nossos olhos machucados Acostumam as dores facilmente Com isso não enxergam para além
De forma que parte da vida é estranhar O que se recebe de bom grado E as vezes o bom grado também fere Faz parte da vida
Triste seria não estranhar Triste seria não lutar Triste seria não se libertar
Antes de tudo De rosas mortas E sentimentos pálidos

Desta morte que liberta

Escondi minhas tristezas E as transformei em armas Assim enfrentei um mundo Que não para de rodar
Mundo este Que não dá certeza Nem colher de chá Mesmo a olhos nus, é mistério
Como um tolo Enrolado em fortes tranças Pensei ser inquebrantável
O subjuguei Arrogantemente O subjuguei
E meu corpo se incendiou Com essa energia inesperada Queimou! Ferozmente queimou
Morri
Aceito morrer Desta morte que liberta Aceito morrer Desta morte que não é tragédia
Leve-me Mate-me
Atire minhas cinzas ao mar Ofereço-me a ti em sacrifício
Aceito morrer

Por migalhas

Por migalhas vivemosPor migalhas morremos Por migalhas matamos Por migalhas deletamos
Há quem diga viver sem ela
Olhe para o movimento histórico Não há porque se gabar Custo caro cada pedaço de mentira Que construímos como verdade
Por migalhas nos desencontramos Por migalhas nos perdemos Por migalhas Sempre por migalhas
Frágeis como dinamite

Só acredito no caminho

Só acredito no caminhoSó no caminho posso acreditar Na espontaneidade que oferece E na simplicidade que mostra
Sei que não posso viver sem sonhar Sei que essa tal liberdade Que já me fez cometer tantos crimes E me salvou de tantos outros É o placebo que me faz caminhar
Mas confesso em tempos de juventude Minha paixão pelo caminho Só no caminho eu senti o sabor Que as construções nunca me deram
Só no caminho eu me senti livre Sem conhecer liberdade
Que na verdade, se é livre Não tem nome, não tem dono Nem significado algum Flui naturalmente
E no caminho, não só a caminhar Ao olhar o caminho, aproveitar o caminho!

Quando a vida se torna amarga

Me transformei num monstroAgora me perco por aí Em milhares de pedaços Que nem a mim interessa
É difícil ter e sentir culpa Sem ter culpa ou desculpa
Assim Só o medo resta Diante de uma sina assassina
Que dilacera a alma E sepulta quem sou
Me tornei tão vazio Quanto você disse que eu era Por isso, estou tentando recomeçar Um dia de cada vez
Já disse: Santo são os hipócritas Que não têm coragem de recomeçar Quando a vida se torna amarga
E a vida se amarga Pra caralho! Ainda sim não faço papel de santo Prefiro me perder por aí

Hoje tomei cappuccino

Ontem tomei loucuraE confesso morri de liberdade Hoje tomei cappuccino E nada de burguês encontrei
Ainda sim, retrocederia E te roubaria a contra gosto Percebi em juventude Que filosofia barata Não vale uma punheta
Ter sem ter Amar sem amar Viver sem viver Não ligo e preciso
E quase sempre sinto azia
Mas não te sentir e fingir Que outro dia virá Me fere mortalmente Me atirando num hospício
Por isso, de agora em diante Destroçarei o destino Em milhões de porra Menos trágico que meus últimos anos

Só posso amar em dicotomia

Só posso amar em dicotomiaPor isso lhe matei E libertei todos os ismos sociais Que empobreciam nossas vidas
Hoje não casca nem abrigo Sou cínico, quase livre Sem razão, sem direção Sem que nem pra que
Só pra viver e ser Um ser espalhado em energia cósmica Buscando outras energias Que não cobrem dia útil
Não há porque Viver e viver E ser somente Coleção do outro
Não
Por isso lhe matei Mesmo que isso seja solitário Mesmo que isso seja dor Só posso amar em dicotomia

Mata essa vida que te mata!

Pra além das coisas constituídasMata essa vida que te mata Pra além das coisas impostas Mata essa vida que te sufoca
Essa vida que te condena Essa vida que te joga num abismo de desesperança Essa vida que te faz cumprir todos os dias Uma função social inútil Essa vida que te faz amar quem não te ama
Mata essa vida que te mata
Sepulta Enterra Chuta Cospe nela
Porque nossa capacidade e necessidade pela vida É bem maior que as pedras no caminho Mesmo estropiados É preciso pensar pra além
Mesmo quando a derrota É a única companheira na volta pra casa Mesmo quando todas as luzes Se apagam inesperadamente
É preciso conquistar cada novo dia Com unhas, dentes e socos
Única verdade Não há sabor na vida morta
Por isso Mata essa vida que mata!

Acorda este cadáver

Sou este cadáver que tu vê
Sem fé, sem crença e sem dicotomia
Atirado em espaço aberto Pronto pra guerrear Pronto pra matar
E ainda tu pergunta Quem sou
Eu sou este cadáver que tu vê
Este cadáver Que tu não crê Este cadáver Que tu não entendi Este cadáver Que te arde as vísceras
Te incomoda Te esculacha Te toma E te faz bem até quando te machuca
Eu sou este cadáver
Realidade abrupta Sem maquiagem Sem destino Só de passagem
Sou morte e solidão Tua vaidade Tua aflição
Eu sou este cadáver
Em pedaços Na porta da tua sala Te chamando pra luta Vai acorda! Que a vida é dura
Viver não é pecado Liberte-se! Somos todos carne Que servirá aos vermes
Agora, se ainda me perguntar Quem sou Vou te responder cuspindo na tua cara
Sou este cadáver que tu vê Sem fé, sem crença e sem dicotomia

Lutar

Queria fingir que nada aconteceDeixar de acreditar nas ações Buscar mentiras pra me enganar E me afogar em insônia
Há uma verdade cruel A gente cansa Perde as esperanças Os sonhos A identidade Não é fácil
A luta é diária e esmaga Somos atirados em todas as frentes E não há prioridade O mundo explode Reacionários se erguem por todos os lados
E aí que fazer?
Só há uma saída Só vejo uma saída
Lutar Continuar lutando

O véu das vaidades

Queria amar todos os seus delírios Mas confesso negligência Até porque o véu das vaidades É uma faca de dois gumes E meu tempo de juventude Me deixou impaciente
Sei que poderíamos filosofar Longas noites a fio O que aumentaria o tesão E estimularia o mistério
No entanto, se for pra fazer isso Sem uma sinuca, uma cerveja e nossos corpos nus Te digo: estou indo pra casa Acrescento: desarme-se Deixe-se envolver Um pouco mais selvagem
Um segundo perdido Mata

Caminhos

Caminhos diferentes não se aproximam Triste pesar dos caminhos diferentes
Diferentes não se completam Por que são diferentes?
Cada caminho só É só, não resolve dúvidas do caminho
Caminhos diferentes Querendo ordenar as coisas
Transformam tudo em desordem
Caminhos diferentes Não se encontram? Não se comungam?
Será puro desespero? Disfarçando sabedoria
Caminhos diferentes não se aproximam Triste pesar dos caminhos diferentes

Pontos e vírgulas

Quase sempre me assusta
Pontos e vírgulasConstruções e significados
Penso que há Um certo mascarar a vida Por trás de cada palavra E pensamento bem elaborado
Será trauma ou covardia? Quase sempre, medo de emancipação Se é, que tal qual existe
Estranho é pensar Que viver de forma resolvida no mundo Tornou-se sinônimo de vazio
Afastar Isolar Deletar Eleger bichos e plantas
Fácil Não reclamam Não opinião Obedecem
Pois é, a diferença assim, de que vale?
Fica soberba Distante Sábia E se afoga num copo de veneno Disfarçado de liberdade