Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Setembro, 2011

De resto

Vivo em descompasso Anacrônico
Pergunto: O que são esperanças sem um gole de veneno? O que é a vida sem um coquetel molotov?
É preciso ter explosão!
Nem sempre podemos corrigir Domar Controlar
Mas podemos decidir a estrada a trilhar De resto, aceitar as intemperanças de nossos próprios medos
Por isso, desafiar mares e tempestades Ou conformar-se Com rédeas e significados sociais

Há de ser uma constante

Humanizando-se, o ser humano sente a necessidade De controlar a fera que existe em suas entranhas
Ainda assim, é fera!
Domesticado por uma instituição, ou por suas convicções libertárias
Recusando a fera
Caminhará em busca de significados Ocultando sua parte impiedosa Porém, viverá em contradição
Pois sendo fera
Há de ser uma constante explosão de liberdade!

Deveras

Deveras crer na barbárie Sem culpa e sem remorso Controlar o caos em medidas Iludir-se com a paisagem morta
Pois tudo que há É morte e submissão
Contudo, liberdade
Essa maldita quântica Explode em necessidade No coração ensanguentado
Desesperados Se atiramos em lutas intermináveis
Te digo Contra o inevitável Nunca verás ou terás glória alguma
No fundo da alma Confusa e perturbada Desafiar o demônio Um dia, se tornará
Porque inocência é uma quimera Que só levará ao caos
E nada impedirá Do inicio ao fim Somos feitos de caos

Morrer numa esquina

Eu quero morrer numa esquina Perto de uma praça Dessas qualquer Que tem cheiro de saudade
Próximo de um bar Próximo do mar Das coisas da minha terra E da força da minha gente
Força essa Que carrego comigo dentro do peito Pra nunca esquecer quem eu sou
E quem eu sou? Fruto de um sonho De tempos melhores, de uma vida mais vivida
Caso um dia, eu disso esquecer Atire-me numa vala qualquer Porque não serei digno Nem de morrer

A cruzada das crianças

Adaptação de um poema de Bertolt Bretch e sobre o mito cruzada dos inocentes.
Conta-se a história de crianças errantes Que partiram numa longa jornada Em busca de uma terra de paz
Crianças sem Pátria Crianças sem pais Crianças...
Faziam das ruas seu lar Seu sustento Sua barra vento
Pelas praças Pelas esquinas Calçadas Descalças
Vendendo balas Vendendo flores O corpo Vendendo
Corria-se o boato Que insatisfeitas Resolveram partir E de cidade em cidade Iniciava-se a cruzada
A princípio eram umas cinco Depois vinte Até perde-se as contas Ma tudo ia bem
Um menino de uns dez anos orientava Nas ruas desde os cinco Conhecia os problemas como ninguém
E havia a professora Uma menina de olhos profundos Muito inteligente Sabia parte do alfabeto E ensinava com entusiasmo
Principalmente a letra F De "família" E claro a letra R De "responsabilidade"
E como toda boa história Havia um romance Ele com nove Ela com oito
Tão jovens Adotaram uma menina de cinco Teve festa de aniversário e tudo Sem bolo Sem presentes Porém com muita…

Um café às seis

Um café às seis Numa padaria qualquer Assistir a vida começar Vê-la lentamente no ar
Após a primeira notícia da manhã
Rotineira Prisioneira Matreira
Com gosto de desafio Com gosto de solidão
E às vezes sem sabor Assim, acabando com a eternidade
Sem dó Sem piedade
Nasce e morre Num compasso e descompasso
De outro cigarro De outro pensamento De outro café

Velhas lembranças

Nas lembranças da infância Imagens perdidas de um adeus Alegorias de um mundo virtual Soltos num quintal imaginário
Onde tudo é permitido Sagrado e fiel
Sons naturais alegram a dança das formigas O tatuzinho que se enrola A semente de laranja que explode
E tudo é belo O alvorecer A gota A terra A vizinhança Os peixinhos da maré O mangue onde caem as pipas cortadas pelo cerol
Assim Sem culpa Sem valor A vida é mais vida e vivida
Não há dor ou construção de significado As horas serpenteiam sobre nuvens Carregadas de sonhos leves de papel
Enfeitando Pinturas de giz Tecidas Bordadas Recortadas
A cada novo despertar Lúdico Puro
Do menino Da menina
Que brincaram até cansar Na amarelinha desenhada No chão de terra Molhado pela chuva
E na saudade Gosto de liberdade Quando se perde por aí Pelas coisas da vida

Lutar, criar, poder popular!

Os jornais publicaram que os sonhos acabaram As linhas foram cerradas e o povo ainda tem fome Enquanto a social democracia se afoga em mentiras
Mas os oprimidos ainda estão nas ruas gritando Todos estão gritando! Todos estão ocupando!
Talvez você não veja E não acredite
Pouco importa Porque o poder popular Ninguém pode calar
Todos estão gritando! Todos estão ocupando!
Lutar, criar, poder popular!

Façamos questão de duvidar

Duvidar Façamos questão de duvidar Questionar Façamos questão de questionar
Não devemos propor nada Façamos questão de não propor nada Ridículo e inútil Dentro de um Estado podre
Jamais!
Acreditar numa vida regrada Encaixada Cheia de cabresto
Jamais!
Há de ser decretado
Desconstruir Demolir Toda linearidade da vida
Calabouço de pensamentos Cinto de castidade da vida
É preciso viver e morrer Da forma como quiser Livre e nu
Ao contrário disso É castrar a criatividade humana E viver anestesiado

Menina na chuva

Sou como Deus me fez E a vida me criou
Livre desde os treze
Até onde a sina me levou
Assim
De qualquer
E por qualquer canto Livre
Onde o sol arde
E a morte
Término de prantos
Lugar de gente boa
De gente batida
Pouca instrução
Muita ilusão
Meu nome eu aprendi
Como também
Somar e dividir
Meu pai eu nunca conheci
Minha mãe eu pouco a vi
Perderam-se no mundo
Em busca de paz
Indo, indo, indo... E sumindo
Num véu que nunca lhes cobre
Com a minha avó
Fiz-me gente desde os seis
Na olaria
Na cana de açúcar Por que a vida é dura
E sua poesia
Começa às cinco da manhã
Quando dá, tem leite de cabra
Quando não, nenhum pingo da água
No sertão muito fé e seca braba
Morrer não é infortúnio Viver é o desafio
Crescida
Aos treze vim para São Paulo
Em busca de sonhos
Em busca de trabalho
E na Augusta isso foi fácil
Menina nova
Virgem
Cabaço Adianta-se pela noite
Dentro de um carro importado
Ou num quarto sujo Por míseros trocados
Aprendendo que a vida
Só quer esmagar
Tanto pra quem não tem morada Quanto para quem trabalha de carteira assinada
Num dia de…

SARAU do CES (centro dos estudantes de santos) Traga sua poesia, sua revolução e sua alegria!

Venha curtir o Sarau do CES! Traga poemas, poesias, textos, textinhos e textículos. Músicas, sonetos, canções e violões. Violas, atabaques, flautas e flautins. Gaitas e guitarras…
Traga amados, amadas, poetas, músicos e boêmios. Mães, tias e filhos.O Sarau do CES acontece logo após o som baixar, na Noite do Vinil. Tem Bar do CES também, angariando fundos e fundilhos para a casa e os trabalhadores árduos e incansáveis deste grandissíssimo evento!
(:Todas as sextas-feira, Noite do Vinil a partir das 20h e Sarau a partir da 0h.Av. Ana Costa, n.308 (ao lado do Extra)Santos, Brazil Para saber mais sobre o CES acesso o link Blog do centro dos estudantes de santos