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Mostrando postagens de Agosto, 2011

Cordel para um maldito

No dia em que eu nasci Minha mãe assim falou Este meleque Nasceu pra ser doutor
Tão logo profetizou Meu velho nos abandonou Largados na vida Sem eira e sem beira A minha mãe foi Matuta e arteira
Vivia como podia Com criança de colo Na medida em que eu crescia Mirava naqueles olhos
Toda a amargura De dor que a consumia Pela falta do dinheiro Pela falta do pão Pela falta do emprego Pra pagar o barracão
Vida esmagada de dar dó No final do mês ainda era pior Mas a fé não faltava Deus iria ajudar Mandava-me pra escola Obrigava-me a estudar
Eu não sei por quê Acreditava que ali Não era meu lugar
Eu queria mesmo Que tudo fosse como à televisão Um conto de fadas Como aquele programa Chamado malhação
Mas minha realidade Era totalmente diferente Ela não dava ibope Na merda do horário nobre
Asfixia para os pobres
O tempo passou Minha querida mãe Deus a levou Agora era só eu Neste mundo de Deus
Alguns diziam: Moleque vai trabalhar Mas não encontrei um filho da puta Que pudesse um emprego me arrumar
Mamãe sempre me ensinou Que era feio roub…

libertar-se

É preciso libertar-se Dos grilhões e das velhas mentiras Habitantes do imaginário humano
Concepções de poder Apenas deterioram a vida E nos transformam em lobos
É preciso libertar-se De todos os mitos e ritos Que nos atiram num buraco de hierarquias
Hipócritas e dominadoras Que afasta o sentido de viver Roubando nossa própria essência
Existência
É preciso libertar-se Todos os dias Todos os dias!
É preciso libertar-se Até a morte Existência
Libertar-se

Oferendar

Eu quero erguer meu sexo às três da manhã Dilatar minhas pupilas em tua carne Sentir teu corpo quente e suado E colher a explosão de tua vagina em minha boca
Assim lhe oferendar
Um dedo Uma língua Um pênis Um brinquedo Uma massagem Um carinho
E pelo resto da madrugada Morrer E te matar De tanto gozar

Primaveras de pólvora

As folhas secas caem Outono incerto cerca a estação E se esvai
Utopias se erguem Explodem Multiplicam-se Fascinam
E agora? Por onde trilhar?
Tantas armadilhas pelo caminho Lobos sedentos querendo devorar
Será que um dia a palavra liberdade Será mais que um sonho poético?
Haverá chances então para os povos Florescerem em paz?
Cantando suas próprias canções “Venceremos”
Até onde podemos sonhar?
É preciso seguir Encontrar o caminho
Juntos Morrer se for preciso
Por enquanto
Primaveras de pólvora Pólvora sobre as primaveras

Na brevidade

Um cigarro Um tempo Outra história
Outro dia Outra vida Outra memória
Preencher O tempo O vazio O descompasso
Sonhar Temer Caminhar Cada passo
Assim Sem pressa Sem dor Sem remorso Devagar
Na brevidade De quem morre Num segundo Perdido Recomeçar

Entrega-te

Entrega-te As lutas desta terra Que são puras Legitimas
Entrega-te Pois elas precisam de braços fortes Corações grandes E mentes audaciosas
Entrega-te E faça desta luta Uma bela canção libertária
Tal qual Cantaremos juntos de mãos dadas Fraternalmente
Até o fim dos dias Entrega-te

Boas poesias

Confesso em poucos versos Meu mal gosto pela poesia
Desagrado Incomodo Fétido Cínico Perverso
Boas poesias São como solitárias enroladas nas tripas Gerando mal estar na vida inerte
Azia Vômito Escarro Pus
Poesia rosinhas e bonitinhas De anjinhos fofinhos Não!
Vírus Verme Veneno Gafanhoto
No lírio do campo e nas plantações Porque poesia não é enfeite!
Poesia É enunciação do caos

Criando significados

Vago por pensamentos soltos De outro tempo De outra vida De outra memória
Busco encontrar dissonâncias perdidas Entre a criatividade e a fraqueza humana
Reconstruir significados Desmitificar coisas sustentáveis
Assim trançado no véu da aflição Estranhar cada medida estática da vida
Discordar de cada alegoria sem alma E suspeitar de toda teoria contemplativa
Que não é liberdade! Sim, mortuário e cárcere
Que aprisiona o sentido da vida Num emaranhado fúnebre
De ideologias mortas