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Mostrando postagens de Junho, 2011

Insana e orgânica

De vez em quando um copo de lucidez Pra restabelecer a loucura Ou quem sabe um copo de loucura Pra restabelecer a lucidez
Cai bem? Não sei! Rasgo as respostas e mergulho no infinito
Na vida indecifrável a gente divaga Entre sonhos que quer controlar Idealizações que quer viver Ou sonha roubar
Mesmo quando a ressaca é pouca Ou a luz dos olhos querendo partir se apaga
Acende um cigarro e deixa o tempo passar Toma mais um copo e deixa o tempo soprar
Por entre os cabelos esperançosos de quem sangra Por cada pedacinho de liberdade conquistada E se pergunta, sem medo ou vergonha da dúvida
Qual a próxima sacada que irá nos tirar da rotina?
É preciso sacudir a mesmice e provocar abandono Sobre tudo que é normal e sintético!
Somente a vida insana e orgânica dá tesão E alimenta revoluções

Cidade dos homens

Minha cidade é vadia Faz o que bem quer
Entre ruas solitárias e vielas escuras Lobos se erguem na caça de sangue
Uivando suas preces Ritualizam uma nova moral
Destino insólito e vulgar A cidade é cúmplice de todo o pecado
Permanece em silêncio caótico Rasgando o véu das moralidades Numa dança pagã de iniciação
Ela devora e vomita sexo Violentando o paganismo Dos tolos hipócritas e amantes de concreto

Abrigo

Abrigo
Uma dor que não consigo sentir
Abrigo
Uma inquietude que nao consigo entender

Feito escravo procuro caminhos
E na procura
Fujo por abrigo

As vezes cínico. As vezes aflito.

Tem poeta que escreve livros Tem poeta que vira filósofo Tem poeta que vira político Tem poeta que faz blog Tem poeta que fica no achismo Mas tem poeta que só faz poesia
Confesso que sinto medo de tudo isso Pensei que poesia fosse algo mais simples Papel, caneta, coração e um foda-se
No caso "eu" Não contenho em mim minhas loucuras Reviro-me do avesso Pra me acertar

Por isso escrevo
As vezes com vaidade As vezes cínico As vezes cheio de ódio As vezes aflito
O que sei É que a poesia deve ser doce e severa Igual uma faca Só isso
Será por isso tantos ismos?

Ismos

Eu quero tua carne nua Num despacho de sexta feira Pra ritualizar meus ismos E libertar minhas fantasias
Eu quero tuas fantasias nuas Num despacho libertário Pra ritualizar tua carne E libertar meus ismos de sexta feira
Mesmo quando carne pouca Eu devoro teus delírios E arranco tua roupa
Mesmo quando carne pouca Eu mastigo teus abrigos E te rendo pela boca
Sou carrasco Sou teu dono
Violar é minha arte Quero te saciar Seduzir Fatiar Evocar
Aceita tua cina Carne na carne Viverá
Pois sou brincalhão E me chamam de Exu Yorubá

A construção do desespero

Depois do olhar vem as palavras Depois das palavras vem o beijo Depois do beijo vem o dê-me tua mão Depois do dê-me tua mão vem a cumplicidade Depois da cumplicidade vem o desespero Depois do desespero vem as noites sem dormir
Até que céu e inferno se misturam E o sentido de viver fica confuso, desolador e imaginário
E tudo é falta E tudo é frágil E tudo é entrega E tudo é desafio
De mais um corpo roubado De mais uma dose envenenada De mais uma mentira confortável
De quem só quer morrer Entrelaçado entre múltiplos orgasmos utópicos

Fazer um cordel

O carnaval acabou A fantasia se foi O que era doce chorou Alegria partiu
Não deixou endereço Não deixou poesia Só deixou desespero E uma tarde vazia
Espero ano que vem Fugir da tristeza Atirar-se em folia Perder-se em confetes
E com a dor que restar Tecer um cordel Pra bem de mansinho Recomeçar

PAC o IIRSA brasileiro: Resistir, Lutar e criar Poder Popular!

Fonte: CMINeste último dia 05 de junho foi comemorado o dia de luta na américa latina contra o Plano IIrsa. Esta data é para fazer memória aos dois anos do massacre indígena em Bagua no Peru, num conflito que resultou em dezenas de mortos e simboliza a resistência dos povos latino americanos contra o Plano IIRSA.A sigla IIRSA se refere a Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional da América do Sul que representa um verdadeiro plano de saque e exploração das riquezas, dos bens naturais e dos povos latino-americanos.Acreditamos que é necessário poder detectar que os efeitos do IIRSA em um ponto do continente fazem parte de um mesmo plano de dominação em outro ponto distante.Entendemos que resistir ao Plano IIRSA é unificar nossas lutas contra algo que é comum a todos.Portanto, é importante nos mobilizarmos em solidariedade e memória aos povos amazônicos e contra o Plano IIRSA.Entenda o que é o IIRsaIIRSA se define oficialmente como um “mecanismo institucional para coordenar aç…

Abstrações

Eu te via Por meio de um espelho Querendo me ver E assim, nunca lhe via
Não sei bem ao certo Se por medo ou excesso Se sucediam expectativas Idealizações e mentiras
As vezes cegas As vezes soberbas As vezes tolas
Assumo, que quase sempre Abstrações
Somente abstrações daquilo que num gesto Deveria ser para o outro
Mas quando não se vê Surge o risco de projetar O que não se pode ter
E assim um dia parte Se estilhaça em pedaços
Espelho em cacos Ninguém suporta viver Sem ter e ser O que aspira Foge