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Mostrando postagens de Maio, 2011

Imersão

Sou fruto de um tempo Que estranho e tento entender
A respeito nada sei Por isso busco desvendar
Porém, quanto mais imerso Menos sei Mais me perco E nada tenho
Sem abrigo Sem segurança Sem profundidade
Tudo é abismo Na essência das coisas constituídas
Admito Nenhuma razão Nenhum contentamento Nenhum sorriso Me apura
Não podendo domar Queria que todos os pesadelos Se revelassem Se explicassem
Assim, me libertaria deste mundo Confuso e cansado Deixaria apenas os mistérios Invadir as lacunas do tempo
Mas, como tudo isso são devaneios soltos De um coração inquieto Sigo arquitetando
Pois sou tudo e apenas um pouco Do que o mundo me provocou a ser Não finjo, não calo Aceito e desafio em espanto

Dualidades, dualidades...

Ontem não existe mais Era uma vez, acabou! Tão cruel e sanguinário Quanto esfaquear-se
Mas a faca é só uma faca E o ontem só porque passou Não necessariamente Tem quer ser odiado e esquecido
Mas Sem piedade Não há nada de moderno Em dizer, que ninguém é o mesmo Após atravessar um rio
Pura filosofia grega de bar? Quem sabe? Um morre outro vive
Chega de catolicismos! Um copo de vinho ou de veneno? Dualidades, dualidades...
Quem criou tudo isso Não deixou a opção reiniciar
Viver amoralmente com erros sem piedade Com toda a aflição, incerteza e desejo Ou entregar-se ao martírio do herói morto
Não existem heróis Devemos escarrar em tudo que é arquétipo E viver
Afinal, há mundos lá fora Esperando para serem descobertos Desafiados Devorados
Sexualmente

Caminho com espanto

Eu quase sempre estranho Tudo que é concreto e instável
Não sei se é pura tolice Insatisfação ou vaidade
Decido sem dúvidas Acendo um cigarro Calço minhas botas velhas E caminho com espanto
Por qualquer estrada ou viela Oferecida de bom grado Ou roubada do acaso Não faço cerimônias pra vida
Delírio ou mistério Só sinto prazer Pelo destino que posso arrancar
Me atirar Me excitar Até Dele me cansar
Um grande erro? Um tiro na alma? Inocência de carnaval? Confetes?
Não sei
Só posso obedecer O que meu coração sente Mesmo que eu me perca no caminho

Ato gente

Eu ato gente Navego por correntezas Mares e mundos misteriosos
Emaranhando-me Entre cabelos e delírios subversivos
Perco-me Salvo- me Firo-me Curo-me
Atirado num furacão Ou em calmaria De amores, ilusões e riscos
Rasgo a teia do destino que é prisão E teço no aspecto comum das coisas objetivadas Minha ansiedade e insanidade pelo o que é livre
Mesmo que tudo que é doce Azede Se estrague Se amargue
Aceito Curto Vivo
E morro
Quantas e quantas vezes forem necessárias Sou ato gente Não vou me arrepender de nada

Somos todos gente diferenciada. Porque a burguesia não é mito!

Post de origem Rádio da Juventude
A palavra burguesia advém do latim burgo que quer dizer local fortificado, protegido. Na idade média, burguês era um simples morador de uma pequena cidade cercada por muros.

A reestruturação do capitalismo mundial tem cada vez mais exportado para o terceiro mundo imposições políticas, sociais e econômicas. Traduzindo: privatizações, enxugamento do Estado, precarização do trabalho e um discurso sempre alinhado as grandes corporações, mesmo quando este discurso vem carregado de preocupação com o bem estar dos trabalhadores.
2/3 da força humana que trabalha encontra-se no terceiro mundo em condições muito precárias, quando uma crise capital surge no primeiro mundo, evidente que o terceiro irá pagar, e como a classe trabalhadora há tempos encontra-se desarticulada, mais uma vez a burguesia vence, porque ela não está morta nem nunca esteve. A própria idéia de seu fim é pura construção ideológica.
A burguesia não é um mito, não está fragilizada e nem perdeu o d…

Dúvidas, dúvidas e dúvidas

Dúvidas, dúvidas e dúvidas
Atirar-se ao rio e percorrer por uma correnteza violenta de desejos Ou morrer de curiosidades e arrependimentos
Seguir Recuar Aceitar Negar Fugir Enfrentar
Dúvidas, dúvidas e dúvidas
Entre a certeza e o desespero Cada segundo de reflexão O tempo não perdoa
Parte então, em frente E tua existência Enfrenta
Que tudo é pura imaginação E os demônios mais perigosos Estão na cabeça dos seres humanos

No meio da confusão

Não posso domar o incompreensível Não é meu Não é seu Não é de ninguém
Nasceu para ser descoberto Desvendado Interpretado Arrebatado
livremente num mergulho de sentimentos
Viverá!
Mas quem com coragem Num desejo vulcânico Será capaz De desafiar De confrontar De matar
O medo A dor O desespero
E por fim
Saciar a fome Que devora pelo que é mistério
E isso é tão confuso Confuso Confunde De querer o que confunde
E no meio da confusão Que se confunde todos os dias
A vida igual se torna um saco Assim, amar precisa recomeçar

Como tempestades

Mesmo em silêncio Te reconheci no olhar E sei que em descompasso Você sentiu desequilíbrio
Curiosidade? Desejo? Quem determina o tempo enquanto ele passa?
Meros mortais Só podemos arriscar Um golpe
"Blitzkrieg"
Ou sufocar Fantasias Pensamentos
Que inutilmente Virão como tempestades
Mar em fúria Que ninguém controla Temem
Mas querem se envenenar

Amar é tão miserável

Eu amo tudo aquilo que você me dá E odeio tudo aquilo que me esconde
Maldito seja o amor Que temos que roubar Num eterno conflito
Resiste porque é caos Quando pensamos em harmonia
Quem não se assassina? Quem não se condena e mata?!
Um grande amor É pura migalha
Acaba todos os dias
Quando acordamos Quando vamos ao banheiro
Na fila do mercado No planejamento das férias
Amar é tão miserável Que é tudo que recebemos A medida que somos capazes De arrancar a força
Sempre verdadeiro Quando não correspondido
De resto Corre risco de mais um cigarro
Um olhar silencioso Um rasgar da alma por desejar o proibido

De vez em quando um cigarro. Pra refletir sobre o nada!

Não posso domar o que sinto Mesmo que tudo seja feroz
Admito
Inventei estórias Disfarcei amores Fotografei mentiras
Cruéis algumas vezes
Pra esconder fragilidade Garantir sobrevivência Abrigo no meio de um vendaval
Puro egoísmo? Carência? Brutalidade?
Talvez seja E poucos vão entender
Se atirar Se arriscar Se desafiar
Por um quinhãozinho de felicidade Num dos poucos momentos mágicos Que se pode ter iludido
Nem tão simples Nem tão falso Como querem vender por aí
Luta árdua Busca desvairada Estúpida Ingênua Solitária Utopista
Porque mesmo cheio de confete As vezes tudo é solidão
E tudo é vazio
Acabado Pisado Humilhado Esquecido E se perde
E se perder Como tudo se perde É preciso pra se encontrar Por que não?
Também faz parte Neste desafio que é viver Onde ninguém é dono de ninguém Nem de si mesmo
Oras, para o destino não há rédeas Ele explode na nossa cara
Heróis Bandidos Mocinhas Cavaleiros
Tudo a gente inventa pra ser feliz E tenta disfarçar o que não se tem
Iludidos ou fracassados De carne e osso De vez em quando um cigarro Pra refletir s…

Quimeras

Quando morrer Sobre minha sepultura Flores, um beijo e um adeus Afiados como lâmina Para rasgar minhas dores E quem sabe me libertar de algum pecado
Como não creio no pai Nem no filho Nem na puta que pariu Não há quem possa me salvar
Quimeras Atiro-me sem angústia ao ventre da morte
Meu corpo aos vermes pertencerão E que os ratos roam meu ossos
Decreto sem piedade ou arrependimentos
Aqui viveu um maldito Traído pela utopia da vida Que lhe prometeu abrigo E só lhe reservou desespero
Mas que também incomodou pra caralho
E antes que eu me esqueça Aos canalhas e bajuladores pele de saco Deixo o meu foda-se Que vocês tomem no cu
Porque eu vivi como quis E lutei pelo o que acreditei
E no final desta merda O que resta pra todos É a vala

Vem cá, me dá tua arma...

Estou vivendo no limite Entre um foda-se E um tiro na cabeça
Não sei se a morte me cai bem Ou se foram os ratos Que roeram os meus planos Deixando meu humor igual o de uma arma
O que sei apenas É que meu sangue esquenta Neste mundo podre e infernal
Tolice? Ignorância? Acredite!
Estou a ponto de explodir Quer acender o pavio?
Há tempos não vejo graça no amor Nem procuro felicidade
Mas garanto Ser doce como navalha No meio de um furacão Ou num quarto escuro de hotel
Por enquanto Uma lembrança mais eficaz
Vem cá, me dá tua arma... Que hoje quero flores

Eu enterrado em ignorância

Hoje Com a mais bela gravata que ganhei limpei a bunda E sem nenhuma angústia ou neurose Fui ao museu de arte moderna
Admirar obras de artistas Que dialogam com o espaço público Por meio de ideias privadas
Entre subjetividades, e tanto entendimento do universo Olhei as particularidades de um nada
Quanta provocação Quanta indagação
Eu, enterrado em ignorância Só restou vomitar Diante de tanta merda Que dão o nome de arte
E como tudo é arte Viva a arte!
Fria, estéril e sem loucura

Parte do que te vejo. Parte do que me vês

Parte do que te vejo Idealizo e desejo, a parte que me falta
Parte do que me vês É puro desprezo, pela parte que te falta
Parte de tudo isso, vai se multiplicar Queimar
Sendo parte livre para ver Onde começa o fim E termina o início
Enquanto a outra parte Não faz mais parte Anula-se
Silenciosamente