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Mostrando postagens de Abril, 2011

A saga do herói morto

Quando pensei que vivia Estava morto Quando me senti livre Estava preso Quando descobri o amor Me fiz infeliz Quando resolvi matar Fui assassinado
E por quê? Excesso, catástrofe, inevitável Pathos?
Por que essa vida mortal é tão frágil?
Calcanhar de Aquiles Torre de Babel Kryptonita Átomo
Alimentamos demônios Rasgamos morais Dançamos no escuro Mordemos a maçã Roubamos uma centelha
Ainda assim, amaldiçoados Solitários Vivemos em penumbra
Mortalmente feridos Nos consumimos Em liberdade e vaidade
Construindo sentidos e significados
Ideais Causas Ilusões
De onde vem essa aflição que devora? Poeirinha num vazio existencialista? Somos os únicos a morrer de insônia?
Arché? Não sei.
O que sei apenas É que este vazio no peito continua Até que ela durma

O enforcamento da vida

Tudo que é essencial pra vida Tem que ser pra ontem E declarado fundamental
Filosofia Poesia Amor Amigos Sexo oral
Não podemos esperar um segundo Não podemos tolerar um instante
Mecanização do ser humano Privatização da vida pública Normatização do status quo Apropriação do trabalho alheio
Assistir a tudo isso com passividade É aceitar o enforcamento da vida
Somos plural Não unidimensional
Decreto aqui O direito de coçar o saco tem ser sagrado!

Além e dentro de todos nós. Vida e morte

Tem dias que a vida É só bagaço
E de bagaço
Todo o corpo
Toda a mente
Toda a alma
E todo o resto que mais existir
Dói
Sangra
Escorre
Explode
E vaga pelo mundo
Igual cão moribundo
Nasce, cresce e morre gente
Na certeza
Na dúvida
Na pureza
E na puta que pariu! De um fio de navalha
Que mutila, dilacera e arranca a liberdade
Apropria-se como parasita
Enrolando-se nas tripas
Queima
Porque é fogo
Impiedoso
Cruel
Intempestuoso
Veneno da humanidade Mais uma vez
Buraco de rato
Quem é rei? Quem é peão?
Torre, rainha e solidão
Quantos crimes mais serão cometidos pra coibir a carne?
A mesma carne amarga, doce, podre, vil, santa e libertária
Que só quer ser possuída
Profanada
Entregue em holocausto

Enquanto eu Mera poeira estelar
Só quero viver com meus próprios calos
Amoralmente no infinito do espaço
Enroscado num pentelho de cu
Sempre de punhos fechados
Esperando pela jornada do herói Ou divagando estupidez
Como não é proibido sonhar
Deixem as utopias reverberar
Em cada cômodo
Em cada esquina
Em cada boteco Em cada gueto
Podre e esquecido ao…

Indecifrável

Rasguei meus pulsos Mas não pretendo morrer está noite É que a loucura me acalma Depois que o sangue escorre
Andando pela cidade Fiquei pasmo com tanto gelo Tento ficar longe disso Pra não perder minha cabeça
A violência explode silenciosamente Arrebata vidas que se perdem Entre sonhos descartáveis Comprados em alguma mídia furada
Mas, não pretendo morrer Não está noite! Apenas reflito sobre as paredes de concreto Velhas armaduras
Indecifráveis texturas de solidão

Poesia para um Cínico

Quero me apaixonar todos os dias Por loucos, vadios e pederastas Discutir filosofias inúteis numa mesa de bar
Atravessar noites em orgias libertárias E dissecar todo o cinismo barato Que só serve para intelectuais se gabar
Quero construir pontes entre o nada e o infinito Nadar num mar de preguiça absurda Até me sentir exausto de tanto gozar
Desconstruir arquétipos podres e ridículos Construir canções soltas no ar Tomando vinho que qualquer um pode pagar
Juro Eu quero te amar Em cada suspiro, em cada gesto
Amar sem precisar te amar
Juro Eu quero te ter No corpo e na alma
Querer sem precisar te querer
E todos os dias recomeçar sem culpa, sem flagelos
Buscar novos caminhos Únicos amores
Que façam de meu corpo Um santuário de poesia
Pois só entrego minha vida A quem me oferecer abrigo Sem pedido de recompensa

Neste buraco de rato somos caos!

Neste buraco de rato que ousamos entrar
Somos (todos) puro caos enrolados pelos cabelos Devorando um ao outro (sutil mente) pelo calcanhar.

Buraco de rato
Enfiados de cabeça Chupando um ao outro É tudo que somos E não é pouco Talvez, triste feio sujo ardente
sáliva, suor e porra
Ou, somente louco E de louco ficou solto Tão solto, que adoeceram sozinhos no escuro grudados em cópula Num profundo orgasmo intenso
E no buraco Imundo sem vida Cheio de ferida Atirar-se ou ser atirado? Caçar ou viver como presa? Armadilha mercenária
De forma soberba, gratuita sem pena de delito Quem se importa afinal? Quem empurrou o lixo para debaixo do tapete? Quem fechou a porta?
Por falta de tempo ou comodismo nos perdemos Vendemo-nos Tão barato e arrogantemente Que nem a alma é alma Fé, esperança...
Perde-se pelo caminho
E a cabeça? Nem sempre agüenta tanto tranco Fica fraca Vazia Vadia
E se esvai.
Igual água parada Só prolifera morte Morte, morte e morte Essa mesma morte que contamina e não cicatriza Essa…

A mais bela canção

A gente tem que se conhecer Tem que se entender Tem que se visitar
A impressão É que nem nossas digitais Imprimem quem somos E quem nós somos?
Tupi Guarani, Oxalá, Oxum, Dendê Olha o portuga aê caboclo nhangatu
A gente, no sangue e no suor Tem cheiro de cana de açúcar Tem cheiro de seringueira Cheiro de charque numa ponta E carne seca na outra Café, cacau, pau Brasil Mandioca, farinha, feijoada Cimento de construção e muito calo Muito calo Dor e solidão Cicatrizes da chibata
Tudo parte do que somos E quem nós somos?
Hoje Lindos maravilhosos trabalhadores? Sim!
Soltos ao vento Divididos, iludidos Às vezes perdidos No infinito do espaço Dando soco em ponta de faca Mas, lutando por cada centelha que nos faça acreditar
Que mudar é possível Que mudar... É preciso! E, é mesmo. Por que não?
O mundo não se move somente por meio de quem bate Quem apanha também pode reagir
Se quiser, pode ter o destino sobre suas mãos Basta querer
Com paciência, um passinho de cada vez Juntos! Somos a mais bela canção Revolucionária em movimento

Amor e Revolução: um fiasco ou resgate da memória?

Post de origem Rádio da Juventude
Com muita coragem… Quem está acompanhando a nova novela do SBT que pretende fazer um resgate histórico dos anos de chumbo cujo nomeAmor e Revolução, já pôde perceber nestes dois capítulos iniciais que esse folhetim é mais uma caricatura romântica e oportunista que não levará a lugar algum (e isso nada tem haver com pessimismo). Mas é que antes do lançamento dessa novela criou-se uma ilusória expectativa da importância dessa discussão na telinha de vidro (seja lá de que forma como esse assunto fosse tratado) inclusive muitos blogs e sites progressistas discutiram essa questão, ressaltando e apoiando. Oh! Doce ilusão! Parece que nem se lembram de Anos Rebeldesmini-série da Rede Globo.Enfim, sabemos que a época é outra e está em curso o abaixo-assinado pela abertura dos arquivos da ditadura e, esperamos profundamente que esse folhetim contribua para abrir esses arquivos, mas não sejamos tolos em acreditar que é por meio dessa novelinha do magnata Silvio Sa…

Adiante companheiros

As vezes Falta chão sobre nossos pés E as vezes Sobre o chão Não é só uma pedra Que temos no caminho
São muitas Muitas E de muitas Não há céu que não desabe Nem luz no túnel que não acabe
Seguir lutar Desafiar Compreender A vida O destino A luta
Quantas bolas temos que ter para fazer uma revolução?
De trincheira em trincheira Coração na mão A pólvora do capital está nos matando
Muitos já tombaram Outros, arrebatados Corpo, alma e identidade Desistiram
Heróis? Perdedores? Prisioneiros de guerra? Traidores? Quem vai saber
É preciso seguir É preciso lutar
Sangrando se for
Em cada palavra Em cada gesto Em cada esperança Em cada gota de suor
Seguir
E não recuar Nunca recuar Não podemos recuar
Seguir É preciso Seguir
Adiante companheiros

Poesia: Seguiremos adiante? Companheir@s.

Post de origem Rádio da JuventudeNeste primeiro de abril cinzento de pouco solPergunto a todas e todosSeguiremos adiante?Por onde? Pra onde? E como?Afinal, os homens de playa GironHoje, mais parecem poesias soltasIrreais e tão distantesA revolução que tanto desejamosNem cabe mais na pautaParece que o saudosismoCospe desesperançaSerá,medo ou falta de entendimento?Cada caminho dissidenteQue nós revolucionários criamosResumi-se em mais um “nada”E a quem fortalece?Repito então, seguiremos adiante?Construindo nossa históriaOu nem poesia solta seremos?