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Mostrando postagens de Setembro, 2010

Nada de sangue, nada de mágoas

Escrevo sem sofrimentos Nada de sangue, nada de mágoas Escrevo para avacalhar Provocar e subverter Frase de ordem "Viva a transgressão e abaixo a vaidade!" Quero mais é gozar Longe dos sábios Que empinam os lábios Com quartetos de blábláblá Quero a poesia Vomitada pelos bêbados Marginais e amantes de boteco Gente de carne e osso Que mija, caga, peida e arrota E Quando tem vontade, se masturba! Quero a poesia Em estado bruto, sem maquiagem Por isso Escrevo sem sofrimentos Sem compromissos e sem piedade

Não beberei de teu vinho

Abutres, impotentes
Mercenários e estéreis
Vadios, vazios
De ideias e de coragem
Estupram o mundo num ritual filantrópico
Disfarçados de almas bondosas
Não passam de seres
Sórdidos e hipócritas
Cuspidores de caridade
Pregadores de merda
Quantos já queimaram?
E quantos estão queimando?
Em nome de teu Deus
Chamado
"Intolerância"
Não partilharei de teu pão
Não beberei de teu vinho
Não comungarei de tua fé

Nem serei moeda de troca
De teu calabouço celestial
Caiam por terra malditos! Caiam!
Com teus anjinhos
Com tuas mascaras
De humanistas gentis
Caiam por terra!
Caiam!

Queimem os vanguardistas

Evoco a loucura Que é a coisa mais sã Que conheço sobre a terra
E peço Embriagado de vinho e prece
Loucura!
Lance de seu cu De um bilhão de anos
Rajadas de fogo Para queimar até as últimas tripas Todo o vanguardismo demagogo de boutique Podre, reacionário e dissimulado
Pois, só assim O coito dos libertários e anarquistas Que amam Sganzerla e sexo oral Não será interrompido
Rezemos então a Baco Brindemos Rezemos então a Baco Brindemos
E os merdas que se fodam! Oh! Loucura.

Carta aos inconformados

O que é a poesia?
Uma criança que brinca num parque?
As folhas secas que caem no outono?
O céu azul e a grama verde?
Transeuntes que passam apressadamente?
Então, tudo é poesia!
E de tudo na vida podemos extraí-la?
Ou será que poesia É... Aquilo que o ser humano criou para se livrar do tédio Aquilo que o ser humano criou para dar tesão a vida Aquilo que o ser humano criou para enfrentar os dias infernais de labuta Ou seja, poesia É... Um produto de gente inconformada e cheia de paixões Fruto maldito da indignação, da aspiração e do egocentrismo Uma vã filosofia que insiste em dar significado a uma vida que não tem sentido ... Porque a realidade É dura e chata pra caralho Então, poesia... É tese e antítese sem síntese Tenta explicar para não se frustrar Provoca, mas não briga Excita, mas não goza Amigos poetas e amigas poetisas Não sejamos tolos A poesia é feita da mesma matéria-prima que criou Deus e a guerra E, Dentre essas três criações Poesia É a mentira mais gostosa de viver

A mitologia grega que não contam na escola

Narciso era um calhorda burguês
Só pensava em si mesmo
Afogou-se em seu orgulho
Sem dar um grito

As ninfas que choraram
Na verdade, durante dias festejaram
A morte de um idiota
Que maltratava as mulheres com sua indiferença

E, foi neste tempo que ocorreu
A primeira revolução feminina
Com o grito estridente das ninfas
Morra Narciso! Morra!

E sobre o sepulcro das águas
Elas mijaram, mestruaram e gozaram
Num ritual de libertação e celebração
Foi quando neste local, nasceu uma flor

Que deram o nome de Maria da Penha
Depois foi decretado pelos Deuses
Que as mulheres eram dádivas
E aí daquele que as ferir

Quando se vai morrer

Quero me embriagar de éter
Esquecer
Versos que escrevi

Quero morrer de overdose
Esquecer
Todo o veneno que bebi

Quero dar-me em holocausto
Esquecer
Noites solitárias sem dormir

Quero o tempo parar
Esquecer
O inferno que arde em mim
Sem ti e teu amor

Numa esquina

É na esquina que eu encontro o meu prazer Nesta São Vicente vazia de opções Na esquina sempre tem um boteco Uma cerveja, um cigarro, um bêbado e um papo furado
A esquina é lugar de filosofias Teorias mirabolantes Pensamentos sobre a vida e o além dela Poeira estelar que somos Então
Na esquina a gente discute, canta, reflete e divaga Crítica a merda do trabalho O aumento que não veio A política dos calhordas E se lembra do preço do pão, do leite e do bolso vazio
A esquina Às vezes é fria, escura e assustadora Esconde segredos, mistérios e coisas proibidas
Caixa de pandora Quebrada Cabulosa Enigmática
Ponto de encontro de amigos De amantes e enamorados
Tomar geral da polícia Ser discriminado Pela cor, origem e orientação sexual
Chamado de vagabundo, malandro, maconheiro e marginal
Pois é, E nesta esquina que se aprende O que a escola não ensina ... Coisas da vida